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Tipo: Tese
Título: O que pode uma alfabetização filosófica? Experiência de formação na perspectiva de professores cursistas em Pau dos Ferros-RN
Autor(es): Barbosa, Meirilene dos Santos Araújo
Orientador: Frota, Ana Maria Monte Coelho
Palavras-chave em português: Alfabetização filosófica;Formação de professores;NEFI;Paulo Freire;Escola
Palavras-chave em inglês: Philosophical literacy;Teacher training;NEFI;School
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Data do documento: 2025
Citação: BARBOSA, Meirilene dos Santos Araújo. O que pode uma alfabetização filosófica? Experiência de formação na perspectiva de professores cursistas em Pau dos Ferros-RN. 2025. 199 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025.
Resumo: Uma educação pautada apenas na gestão de resultados e, supostamente, na melhoria de índices <educacionais=, perseguida por nosso país, já foi experimentada em outras nações, que terminaram por admitir o equívoco e o fracasso dessa perspectiva, pois ela gera o individualismo e mitifica a meritocracia, dificultando a valorização dos princípios democráticos para uma vida coletiva. Na contramão desse cenário, propomo-nos a olhar as experiências educacionais que têm conseguido rupturas dessa realidade, com foco no desenvolvimento do pensamento, buscando inspirações que nos aqueçam a esperança de que podemos resistir e reexistir de maneiras diferentes. Assim, acompanhamos o Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que desenvolveu, em parceria com a Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte, por meio da 15ª Diretoria Regional de Educação e Cultura (DIREC), uma formação de alfabetização filosófica, realizada no município de Pau dos Ferros-RN, como parte de uma Política Estadual de Superação do Analfabetismo de Jovens e Adultos. Na perspectiva do NEFI, a formação foi uma proposta inspirada em princípios freireanos, que se mostrou inovadora e potente. Mas o que será que aconteceu nessa formação? Quais os significados a ela atribuídos pelos professores cursistas? Diante dessas questões, consideramos como objetivo desta pesquisa investigar o que pode uma alfabetização filosófica na formação de professores, a partir da experiência de Pau dos Ferros- RN. As discussões teóricas envolveram um diálogo entre filosofia e educação, a partir das contribuições de Freire (1987, 2001, 2011, 2013, 2017, 2021, 2023a, 2023b), Kohan (2004, 2007, 2009, 2011, 2012, 2014, 2016, 2019, 2021, 2022), Gallo (2002, 2017, 2020), Larrosa (2013, 2015, 2018), Masschelein e Simons (2014, 2019) e Rancière (2009, 2015, 2022). Tratase de uma pesquisa na perspectiva experiência/sentido apresentada por Larrosa (2015), na qual a criação de dados se deu a partir das narrativas da experiência vivenciada e de conversas com professores cursistas. As reflexões revelaram sentidos que não se pretendem absolutos; por isso, foram considerados como trilhas possíveis: a alfabetização filosófica pode ser uma formação diferente, que não dá respostas, <não ensina receitas=, mas abre caminhos para o pensar; pode nos levar a percorrer a trilha do cuidado, por meio da forma, do acolhimento, da afetividade e da atenção ao outro. Pode ser uma forma de reinventar Paulo Freire e seus princípios, como o compromisso sociopolítico com os oprimidos, a amorosidade, as perguntas, a infância, a escuta, a igualdade, a participação, a coletividade, a humanização, o diálogo e o esperançar. Os professores cursistas revelaram, ainda, como possibilidade de uma alfabetização filosófica, a trilha do transbordamento dos princípios do curso para as experiências da vida profissional, familiar e comunitária. Caminhamos por possibilidades na trilha do tempo, ampliando os horizontes da temporalidade e enveredamos pelas trilhas dos múltiplos começos, que nunca serão iguais, mas sempre reinventados de forma diferente. Este estudo destaca que a formação em alfabetização filosófica pode ajudar os professores a refletir sobre o sentido da educação e propõe que possamos criar e compartilhar formas mais dignas de sermos professores e de vivenciarmos a escola.
Abstract: An education based solely on the management of results and, supposedly, on improving <educational= indices, pursued by our country, has already been tried out in other nations, which have ended up admitting the mistake and failure of this perspective, because it generates individualism and mythologizes meritocracy, making it challenging to value democratic principles for a collective life. Against this backdrop, we set out to examine educational experiences that have managed to break away from this reality, with a focus on the development of thought, seeking inspiration that will give us hope that we can resist and re-exist in different ways. Thus, we followed the Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias (NEFI), of the State University of Rio de Janeiro (UERJ), which developed, in partnership with the Rio Grande do Norte Department of Education, through the 15th Regional Directorate of Education and Culture (DIREC), a philosophical literacy training, held in the municipality of Pau dos Ferros- RN, as part of a State Policy to Overcome Youth and Adult Illiteracy. From NEFI's perspective, the training was a proposal inspired by Freirean principles, which proved to be innovative and powerful. But what happened during this training? What meanings did the teachers attribute to it? Faced with these questions, this research aimed to investigate the role of philosophical literacy in teacher training, drawing on the experience of Pau dos Ferros-RN. The theoretical discussions involved a dialog between philosophy and education, based on the contributions of Freire (1987, 2001, 2011, 2013, 2017, 2021, 2023a, 2023b), Kohan (2004, 2007, 2009, 2011, 2012, 2014, 2016, 2019, 2021, 2022), Gallo (2002, 2017, 2020), Larrosa (2013, 2015, 2018), Masschelein and Simons (2014, 2019) and Rancière (2009, 2015, 2022). This is a research project from the perspective of experience/meaning presented by Larrosa (2015), in which the creation of data was based on the narratives of the experience lived and conversations with teachers taking the course. The reflections revealed meanings that are not intended to be absolute; for this reason, they were considered possible paths: philosophical literacy can be a different kind of training, one that doesn't give answers, <doesn't teach recipes=, but opens up ways of thinking; it can lead us down the path of care, through form, acceptance, affection and attention to others. It can be a way of reinventing Paulo Freire and his principles, such as sociopolitical commitment to the oppressed, love, questions, childhood, listening, equality, participation, collectivity, humanization, dialogue, and hope. The teachers who took the course also revealed the possibility of philosophical literacy, which involves applying the principles of the course to the experiences of professional, family, and community life. We walk through options on the path of time, broadening the horizons of temporality and embarking on the paths of multiple beginnings, which will never be the same, but will continually be reinvented differently. This study highlights that training in philosophical literacy can help teachers reflect on the meaning of education. It proposes that we can create and share more dignified ways of being teachers and experiencing school.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/81729
ORCID do(s) Autor(es): https://orcid.org/0000-0003-0803-0557
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/1400409800288046
ORCID do Orientador: https://orcid.org/0000-0003-4890-5821
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/5274212431995000
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Aparece nas coleções:PPGEB - Teses defendidas na UFC

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