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Tipo: Tese
Título: Calibração pólen-vegetação e reconstituição paleoambiental dos últimos 7.500 anos de sedimento lacustre no ecótono cerrado-caatinga (NE, Brasil)
Autor(es): Silva, Maria Virgínia Oliveira da
Orientador: Ledru, Marie Pierre Winnie
Coorientador: Araújo, Francisca Soares de
Palavras-chave em português: Caatinga;Catálogo polínico;Cerrado;Chuva polínica;Ecótono;Paleoecologia
CNPq: CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS
Data do documento: 2025
Citação: SILVA, Maria Virgínia Oliveira da. Calibração pólen-vegetação e reconstituição paleoambiental dos últimos 7.500 anos de sedimento lacustre no ecótono cerrado-caatinga (NE, Brasil). 2026. 407 f. Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais) – Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, Centro de Ciências, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025.
Resumo: No Brasil, o interesse por estudos paleoecológicos tem crescido significativamente. Este aumento é impulsionado pela urgência em compreender as características do meio ambiente antes da interferência antrópica e a dinâmica das mudanças climáticas ao longo do tempo. Contudo, o Nordeste brasileiro é uma região complexa, marcada por diversos domínios fitogeográficos e impactada por atividades humanas. A região ainda carece de dados detalhados para a identificação dos grãos de pólen do Cerrado nordestino e da Caatinga, bem como de registros modernos e de longo prazo essenciais para a reconstrução ambiental em zonas ecotonais. Diante dessa lacuna, a presente tese teve como objetivo principal investigar a história da vegetação do ecótono Cerrado-Caatinga no estado do Piauí, que possui vegetações típicas da Caatinga, Cerrado e suas zonas de transição, por meio de uma abordagem palinológica tripla: 1) desenvolvimento de um atlas palinológico de referência das morfologias polínicas presente no estado a partir de material coletado no herbário da UFC, 2) análise da composição da chuva polínica moderna da bacia do Parnaíba com base nas descrições fitossociológicas publicadas e 3) estudo das mudanças vegetacionais ao longo dos últimos ~7.500 anos, utilizando pólen de exsicatas de herbário, sedimentos superficiais e material lacustre (pólen, macrocarvões e XRF) como bioproxies paleoambientais. A construção do Atlas palinológico para o ecótono Cerrado-Caatinga resultou em 398 gêneros de 99 famílias descritas, 51 táxons foram descritos pela primeira vez e as famílias Asteraceae, Bignoniaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Lamiaceae, Malvaceae, Malpighiaceae e Rubiaceae foram as mais representativas. Por sua vez, a assinatura polínica moderna da Bacia do Rio Parnaíba apresentou uma diversidade polínica tão rica quanto a observada no Atlas palinológico da região. A análise de agrupamento hierárquico resultou em seis grupos distintos (clusters), que foram nomeados pelas espécies determinantes em cada agrupamento (Hymenaea, Schinus, Palmeiras, Misto, Caryocar e Astronium) e os padrões da vegetação foram influenciados por fatores ambientais como altitude, temperatura média anual e condições edáficas, ao invés da proximidade geográfica. Assim, foi possível observar que a Bacia do Parnaíba possui uma assinatura polínica única, devido à sua natureza ecotonal, combinando elementos do Cerrado (por exemplo Astronium e Tapirira-type) com táxons característicos de Caatinga (como Mimosa-type e Piptadenia-type). Por fim, a reconstrução das mudanças na vegetação na Lagoa de Parnaguá nos últimos ~7.500 anos, foram observadas cinco zonas estratigráficas que indicam alta sensibilidade a flutuações climáticas (e.g., picos de fogo, alternância úmida/quente). Inicialmente, o período de PAR1 (7490 – 7050 cal anos AP) foi marcado por aridez extrema, caracterizada por paisagem aberta e domínio de táxons não arbóreos (Poaceae), o que alinha a região à vulnerabilidade do Nordeste oriental. Essa aridez culminou em um extenso hiato sedimentar (7050 – 3430 cal anos AP), sugerindo severa instabilidade e possível secagem do corpo d'água sob influencia da diagonal de aridez continental e de um SASM enfraquecido. Com o restabelecimento do lago no PAR2 (3430 – 3030 cal anos AP), houve uma marcada expansão de táxons arbóreos, indicando o início da convergência climática com o Nordeste Ocidental (influência do SMAS). O período seguinte, PAR3 (3020 – 2070 cal anos AP), registrou uma vegetação mista com picos de fogo (CHARa). O baixo W/L ratio nesse intervalo confirma a queima focada em combustíveis herbáceos, alinhando este evento a um regime de fogo primariamente impulsionado por variações climáticas anuais (transições seco-úmido). Em PAR4 (2050 – 1520 cal anos AP) representa o ápice da consolidação florestal, com máxima dominância de pólen arbóreo (Astronium-type), indicando a fase mais úmida do Holoceno tardio, coincidente com as primeiras evidências de fogo antrópico. Por fim, PAR5 (1510 cal anos AP – Presente) é marcado pela máxima instabilidade, com declínio da produtividade lacustre (eutrofização, evidenciada pelo aumento de Typha) e forte flutuação nos dados de fogo. Este estudo representa um avanço importante no conhecimento paleoecológico do Nordeste brasileiro, especialmente no ecótono Cerrado–Caatinga. A integração entre o atlas polínico, a chuva polínica moderna e o registro sedimentar holocênico permitiu estabelecer referenciais para o estado do Piauí e compreender melhor as respostas da vegetação às variações climáticas e à ação antrópica. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar bancos de dados regionais e de utilizar referenciais naturais como suporte para estratégias de conservação e manejo sustentável frente à expansão agrícola e às mudanças climáticas no Nordeste do Brasil.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86788
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/3912475454108362
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/6068502635619849
Currículo Lattes do Coorientador: http://lattes.cnpq.br/7277684979819031
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
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