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Tipo: Dissertação
Título : Marcados pela cor: a percepção da discriminação no cotidiano de adultos
Autor : Melo, Caroline Batista
Tutor: Araújo, Larissa Fortunato
Co-asesor: Coelho, Carolina Gomes
Palabras clave en portugués brasileño: Discriminação Percebida;Fatores Raciais;Relações Raciais
Palabras clave en inglés: Perceived Discrimination;Race Factors;Race Relations
Áreas de Conocimiento - CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA::SAUDE PUBLICA
Fecha de publicación : 2026
Citación : Melo, Caroline Batista. Marcados pela cor: a percepção da discriminação no cotidiano de adultos. 2026. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2026. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/ 85691. Acesso em: 07 abr. 2026.
Resumen en portugués brasileño: A concepção de raça tem sido amplamente utilizada para justificar hierarquias, desigualdades e marginalizações. Evidências crescentes sugerem que negros possuem maior ocorrência de experiências de discriminação atribuídas a raça/cor comparados aos brancos. Atualmente existem escalas que visam avaliar a percepção desses processos. Contudo, ainda não há um consenso sobre qual escala consegue captar, em profundidade e magnitude, as experiências discriminatórias que pessoas de pele mais retinta sofrem na sociedade. Sabe-se também que os negros possuem menor escolaridade e que esta pode influenciar em como essas experiências são percebidas. Ademais, ainda existe um negacionismo que reafirma que no Brasil não há discriminação racial. Diante do exposto, o presente estudo objetiva verificar a associação entre raça/cor e experiências de discriminação, independentemente da escolaridade, em adultos usuários da Atenção Primária à Saúde. Trata-se de um estudo transversal com 603 participantes de Unidades Básicas de Saúde de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG). As variáveis resposta foram 10 experiências de discriminação no dia a dia, a variável explicativa considerou a raça/cor (branca, parda e preta), e possíveis variáveis de confusão e mediação foram idade, sexo e escolaridade. Estimou-se as razões de prevalências (RP) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) por meio de Regressão de Poisson com variância robusta, com nível de significância de 5%. Após o ajuste completo por sexo, idade e escolaridade, pardos (RP = 1,94; IC95% = 1,07 - 3,51) e pretos (RP = 4,23; IC95% = 2,31 - 7,71) apresentaram maiores prevalências de serem vigiados em locais como lojas comparados aos brancos. Os pretos também apresentaram maiores prevalências de experiências em que pessoas agem como se eles não fossem inteligentes (RP = 1,71; IC95% = 1,23 - 2,38) e fossem desonestos (RP = 2,33; IC95% = 1,09 - 4,95). Os achados deste estudo evidenciam que a discriminação racial não constitui um fenômeno abstrato ou episódico, mas se manifesta de forma concreta a partir da perpetuação de estereótipos relacionados à população negra. Conclui-se que as experiências de discriminação percebidas associadas aos pardos e pretos foram justamente aquelas mais relacionadas a processos discriminatórios devido à cor da pele, especialmente entre as pessoas autodeclaradas pretas. E que esses mecanismos foram diretos e independentes da escolaridade. Contudo, a população de estudo, por ser de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e consequentemente de menor posição socioeconômica, pode não ter captado os mecanismos de discriminação mais sutis que estão presentes no sistema estrutural racista.
Abstract: The concept of race has been widely used to justify hierarchies, inequalities, and marginalization. Growing evidence suggests that Black people experience more discrimination attributed to race/color compared to white people. Currently, there are scales designed to assess the perception of these processes. However, there is still no consensus on which scale can capture, in depth and magnitude, the discriminatory experiences that people with darker skin suffer in society. It is also known that black people have lower levels of education, and that this can influence how these experiences are perceived. Furthermore, there is still a denialism that reaffirms that there is no racial discrimination in Brazil. Given the above, this study aims to verify the association between race/color and experiences of discrimination, regardless of education level, in adult users of Primary Health Care. This is a cross-sectional study with 603 participants from Basic Health Units in Fortaleza (CE) and Belo Horizonte (MG). The response variables were 10 experiences of discrimination in daily life; the explanatory variable considered race/color (white, pardo, and black); and possible confounding and mediating variables were age, sex, and education level. Prevalence ratios (PR) and their respective 95% confidence intervals (95% CI) were estimated using Poisson regression with robust variance, with a significance level of 5%. After full adjustment for sex, age, and education level, pardo (PR = 1.94; 95% CI = 1.07 - 3.51) and black (PR = 4.23; 95% CI = 2.31 - 7.71) individuals showed higher prevalences of being watched in places like stores compared to white individuals. Black individuals also showed higher prevalences of experiences in which people act as if they were not intelligent (PR = 1.71; 95% CI = 1.23 - 2.38) and were dishonest (PR = 2.33; 95% CI = 1.09 - 4.95). The findings of this study demonstrate that racial discrimination is not an abstract or episodic phenomenon, but manifests itself concretely through the perpetuation of stereotypes related to the black and pardo population. It is concluded that the perceived experiences of discrimination associated with pardo and black individuals were precisely those most related to discriminatory processes due to skin color, especially among self-declared black individuals. And that these mechanisms were direct and independent of schooling. However, the study population, being users of the Unified Health System (SUS) and consequently of lower socioeconomic status, may not have captured the more subtle mechanisms of discrimination present in the racist structural system.
URI : http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/85691
ORCID del autor: https://orcid.org/0000-0002-6453-7195
Lattes del autor: http://lattes.cnpq.br/2294391866716824
ORCID del tutor: https://orcid.org/0000-0001-6695-0365
Lattes del tutor: http://lattes.cnpq.br/7448180611822118
ORCID del co-asesor: https://orcid.org/0000-0002-7294-3724
Lattes del co-asesor: http://lattes.cnpq.br/6861175094371291
Derechos de acceso: Acesso Embargado
Aparece en las colecciones: PPGSP - Dissertações defendidas na UFC

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