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http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86494| Tipo: | Tese |
| Título: | “A precisão conduz a gente, doutor”: migrações e narrativas de resistência em Luiz Ruffato |
| Autor(es): | Rodrigues, Reginaldo de Souza |
| Orientador: | Silva, Cristina Maria da |
| Palavras-chave em português: | Narrativas de resistência;Migrações;Trabalhadores;Luiz Ruffato;Gesto testemunhal |
| Palavras-chave em inglês: | Narratives of resistance;Migrations;Workers;Testimonial gesture |
| Palavras-chave em francês: | Récits de résistance;Migrations;Travailleurs;Geste testimonial |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Data do documento: | 2026 |
| Citação: | RODRIGUES, Reginaldo de Souza. “A precisão conduz a gente, doutor”: migrações e narrativas de resistência em Luiz Ruffato. Orientadora: Cristina Maria da Silva. 2026. 180 f. Tese (Doutorado em Letras) - Programa de Pós-graduação em Letras, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2026. |
| Resumo: | Esta tese analisa as narrativas de resistência de Luiz Ruffato, com ênfase na centralidade das migrações, focalizando os romances Inferno provisório (2016) e Estive em Lisboa e lembrei de você (2009). O objetivo é investigar como o autor ficcionaliza as múltiplas formas de deslocamento e a transformação do trabalhador urbano brasileiro, evidenciando seu projeto literário de denúncia social. Partimos da premissa de que a obra ruffatiana constrói uma visão crítica da sociedade, dando protagonismo ao que Jessé de Souza (2018) define como a classe dos batalhadores, sujeitos que lutam incessantemente por reconhecimento e contra a queda na ralé estrutural. Metodologicamente, o trabalho assume um caráter híbrido ao incorporar as noções de “ser afetado” de Jeanne Favret-Saada (2005) e o debate sobre trajetórias individuais proposto por Suely Kofes (2004). Essa abordagem articula a análise literária à própria experiência migratória do pesquisador, reconhecendo que a opacidade do sujeito e os afetos do deslocamento informam a leitura crítica da obra. O conceito de narrativa de resistência é explorado inicialmente com base em Alfredo Bosi (2002), como tema e processo inerente à escrita, mas é expandido por meio das proposições de Augusto Sarmento-Pantoja (2023; 2024), que permitem compreender a escrita de Ruffato como um gesto testemunhal e um ato anarquívico de reconstrução de memórias historicamente apagadas. A discussão sobre o desenraizamento e a identidade dialoga com o descentramento do sujeito na modernidade tardia, conforme Stuart Hall (2003; 2006), e com a fratura incurável do exílio em Edward Said (2003). Essa base teórica é aprofundada pela teoria do vestígio (in the wake) de Christina Sharpe (2023), através da qual a obra de Ruffato é lida como um trabalho de vigília que expõe a persistência das violências coloniais e estruturais no cotidiano dos personagens. A relevância deste trabalho reside na contribuição para a fortuna crítica de um autor fundamental no cenário contemporâneo, destacando a complexidade das migrações em sua obra. Assim, esta tese busca ressignificar a leitura dos temas ruffatianos a partir de uma perspectiva que valoriza a força da voz do migrante em sua luta por pertencimento e sobrevivência. A análise demonstra que, em Ruffato, as migrações são um mecanismo de reprodução da precariedade, e a forma literária de sua obra materializa esteticamente o desenraizamento e a luta por pertencimento dos trabalhadores migrantes. Os migrantes são, portanto, a síntese das tensões sociais ficcionalizadas pelo autor. |
| Abstract: | This thesis analyzes the narratives of resistance in Luiz Ruffato’s work, emphasizing the centrality of migration, with a focus on the novels Inferno provisório (2016) and Estive em Lisboa e lembrei de você (2009). The objective is to investigate how the author fictionalizes multiple forms of displacement and the transformation of the Brazilian urban worker, highlighting his literary project of social critique. We proceed from the premise that Ruffato’s work constructs a critical vision of society by centering what Jessé de Souza (2018) defines as the batalhadores (strivers) class — subjects who struggle incessantly for recognition and against falling into the structural underclass (ralé). Methodologically, the study adopts a hybrid character by incorporating Jeanne Favret-Saada’s (2005) notions of “being affected” and the debate on individual trajectories proposed by Suely Kofes (2004). This approach articulates literary analysis with the researcher's own migratory experience, recognizing that the subject's opacity and the affects of displacement inform a critical reading of the work. The concept of the narrative of resistance is initially explored based on Alfredo Bosi (2002), as both a theme and a process inherent to writing, but is expanded through the propositions of Augusto Sarmento-Pantoja (2023; 2024), which allow for an understanding of Ruffato’s writing as a testimonial gesture and an anarchival act of reconstructing historically erased memories. The discussion on uprootedness and identity dialogues with the decentering of the subject in late modernity, according to Stuart Hall (2003; 2006), and the incurable fracture of exile in Edward Said (2003). This theoretical framework is deepened by Christina Sharpe’s (2023) theory of “the wake,” through which Ruffato’s work is read as a labor of vigil that exposes the persistence of colonial and structural violence in the characters' daily lives. The relevance of this work lies in its contribution to the critical reception of a fundamental author in the contemporary scene, highlighting the complexity of migration in his oeuvre. Thus, this thesis seeks to reframe the reading of Ruffatian themes from a perspective that values the strength of the migrant's voice in their struggle for belonging and survival. The analysis demonstrates that, in Ruffato, migration functions as a mechanism for reproducing precariousness, and that the literary form of his work aesthetically materializes the uprootedness and the struggle for belonging of migrant workers. The migrants are, therefore, the synthesis of the social tensions fictionalized by the author. |
| Résumé: | Cette thèse analyse les récits de résistance de Luiz Ruffato, en mettant l’accent sur la centralité des migrations, et se concentre sur les romans Inferno provisório (2016) et Estive em Lisboa e lembrei de você (2009). L’objectif est d’étudier comment l’auteur fictionnalise les multiples formes de déplacement et la transformation du travailleur urbain brésilien, mettant en évidence son projet littéraire de dénonciation sociale. Nous partons du principe que l’oeuvre ruffatienne construit une vision critique de la société, en donnant le premier rôle à ce que Jessé de Souza (2018) définit comme la classe des « batalhadores », des sujets qui luttent sans cesse pour la reconnaissance et contre la chute dans la « ralé » structurelle. Sur le plan méthodologique, ce travail revêt un caractère hybride en intégrant la notion d’« être affecté » de Jeanne Favret-Saada (2005) et le débat sur les trajectoires individuelles proposé par Suely Kofes (2004). Cette approche articule l’analyse littéraire à la propre expérience migratoire du chercheur, reconnaissant que l’opacité du sujet et les affects du déplacement informent la lecture critique de l’oeuvre. Le concept de récit de résistance est exploré initialement sur la base d’Alfredo Bosi (2002), en tant que thème et processus inhérent à l’écriture, mais il est élargi à travers les propositions d’Augusto Sarmento-Pantoja (2023 ; 2024), qui permettent de comprendre l’écriture de Ruffato comme un geste testimonial et un acte anarchivique de reconstruction de mémoires historiquement effacées. La discussion sur le déracinement et l’identité dialogue avec le décentrement du sujet dans la modernité tardive, selon Stuart Hall (2003 ; 2006), et avec la fracture incurable de l’exil chez Edward Said (2003). Cette base théorique est approfondie par la théorie du vestige (in the wake) de Christina Sharpe (2023), à travers laquelle l’oeuvre de Ruffato est lue comme un travail de veille qui expose la persistance des violences coloniales et structurelles dans le quotidien des personnages. La pertinence de ce travail réside dans sa contribution à la fortune critique d’un auteur fondamental sur la scène contemporaine, soulignant la complexité des migrations dans son oeuvre. Ainsi, cette thèse cherche à donner un nouveau sens à la lecture des thèmes ruffatiens à partir d’une perspective qui valorise la force de la voix du migrant dans sa lutte pour l’appartenance et la survie. L’analyse démontre que, chez Ruffato, les migrations constituent un mécanisme de reproduction de la précarité, et que la forme littéraire de son oeuvre matérialise esthétiquement le déracinement et la lutte pour l’appartenance des travailleurs migrants. Donc les migrants sont la synthèse des tensions sociales fictionnalisées par l’auteur. |
| URI: | http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86494 |
| Currículo Lattes do(s) Autor(es): | http://lattes.cnpq.br/1510590888099955 |
| ORCID do Orientador: | https://orcid.org/0000-0003-3784-8323 |
| Currículo Lattes do Orientador: | http://lattes.cnpq.br/0296938001965033 |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| Aparece nas coleções: | PPGLE - Teses defendidas na UFC |
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