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http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86413| Tipo: | Tese |
| Título: | O impacto das redes de suporte social e de cuidado no enfrentamento às violências através dos coletivos de mulheres em Fortaleza - Ceará |
| Título em inglês: | The impact of social support and care networks in combating violence through women's collectives in Fortaleza, Ceará |
| Autor(es): | Xavier, Natacha Farias |
| Orientador: | Ximenes, Verônica Morais |
| Palavras-chave em português: | Violência de gênero e contra as mulheres;Cuidado;Solidariedade;Enfrentamento;Redes de apoio social |
| Palavras-chave em inglês: | Gender-based violence and violence against women;Care;Solidarity;Social support;Coping |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA |
| Data do documento: | 2026 |
| Citação: | XAVIER, Natacha Farias. O impacto das redes de suporte social e de cuidado no enfrentamento às violências através dos coletivos de mulheres em Fortaleza - Ceará. 2026. 280 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2026. |
| Resumo: | Este estudo nasce da inquietação com o número de mulheres que sofrem cotidianamente diversas violências, sejam elas em suas relações afetivas, em seu ambiente de trabalho, nas ruas, em seus momentos de lazer e, sobretudo, pela inconformidade de que as mulheres morrem simplesmente por serem mulheres, especificamente, mulheres negras, periféricas e trans. De acordo com 17º Anuário de Violência Pública (FBSP, 2023) o estado do Ceará foi o 6º mais violento em casos de violência doméstica e familiar entre os anos de 2021 e 2022. É preciso que governos e políticas públicas atuem com maior eficácia na proteção das mulheres e que a sociedade repense os valores que sustentam a colonialidade de gênero, onde se entrecruzam racismo, sexismo e hierarquização das vidas. Esse sistema histórico impõe às mulheres cis e trans lugares de subalternidade, desautoriza seus saberes e deslegitima suas formas de organização, sustentando o isolamento e o silenciamento. Em resposta, as experiências coletivas afirmam práticas de solidariedade, cuidado e resistência, nas quais a subjetivação política se constrói no dia a dia. Para as teóricas feministas decoloniais e interseccionais, em diálogo com a Psicologia Comunitária, o enfrentamento das violências acontece de forma coletiva, horizontal e dialógica, quando as sujeitas analisam suas realidades, formam-se politicamente e constroem redes de cuidado solidário. Assim, os coletivos de mulheres tornam-se espaços de reconhecimento e fortalecimento mútuo diante das violências de gênero. Dessa forma, indagamos a seguinte questão: De que maneira os grupos/coletivos de mulheres atuam na construção de redes de apoio social e nos processos de subjetivação política para o enfrentamento das violências de gênero em contextos periféricos da cidade de Fortaleza e região do Cariri? Logo, nosso objetivo geral é compreender de que maneira os coletivos de mulheres atuam na construção de redes de apoio social e nos processos de subjetivação política para o enfrentamento das violências de gênero em contextos periféricos. Para os objetivos específicos, alinhamos quatro objetivos: 1) Avaliar os processos de violência vivenciados pelas mulheres integrantes de coletivos de mulheres; 2) Identificar como se organizam as redes de apoio social dos coletivos de mulheres; 3) Compreender os significados das redes de apoio social nos coletivos de mulheres a partir da vivência das mulheres; 4) Compreender como os processos de conscientização nos coletivos de mulheres favorecem a emergência de sujeitas políticos e práticas de fortalecimento diante das distintas violências. Para alcançar os resultados, propomos uma metodologia qualitativa crítica Feminista, inspirada nas práticas decoloniais e interseccionais, essa trilha foi dividida em três momentos: no primeiro, foi realizado o mapeamento dos coletivos de mulheres na cidade de Fortaleza, resultando em 34 identificados; no segundo, após o aceite de participação encontrei integrantes de cinco grupo/coletivos; houve a inserção em campo para realização de entrevistas com cinco representantes de modo que pudesse ser trazido à luz a história do coletivo; e, para o terceiro momento, a realização de quatro grupos temáticos com as integrantes de quatro grupos/coletivos, com total de 46 mulheres. As entrevistas foram realizadas de maneira individual, por grupo. Posteriormente, as entrevistas e grupos temáticos foram sistematizadas e analisadas a partir de uma leitura crítica e situada, inspirada nas epistemologias feministas interseccionais e decoloniais, com o apoio do software Atlas.ti para a organização do material narrativo. Os resultados revelaram e reafirmam que o enfrentamento às violências de gênero e contra as mulheres não se sustenta apenas nas respostas institucionais, mas se fortalece nas redes de apoio social e nas alianças entre mulheres que, coletivamente, transformam suas experiências de dor em ação política. Os coletivos ouvidos, Coletivo Vozes, Mulheres que se Amam, Sta. Terezinha do Tancredo Neves, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas/Ce e a Frente de Mulheres do Cariri, se configuram como territórios de subjetivação política, resistência e criação, onde o fortalecimento, o cuidado, a solidariedade e a coalizão se entrelaçam como práticas de manutenção da vida e de produção de sujeitas políticas. Observou-se que, nesses espaços, o compartilhamento das vivências de violência opera como dispositivo de consciência de oposição e de reorganização subjetiva. Com práticas de escuta mútua, circulação de saberes e a ação coletiva possibilitam que o sofrimento seja ressignificado em potência de solidariedade e mobilização. As mulheres reinventam formas de cuidado político, articulando afetos, espiritualidades e práticas comunitárias que ultrapassam os limites da assistência estatal. Também emergem estratégias de enfrentamento concretas, como o apoio entre mães em contextos de criminalização e pobreza, o acolhimento a mulheres vivendo com HIV e a criação de espaços seguros de convivência e formação feminista. Conclui-se que as experiências desses coletivos afirmam a centralidade das redes de solidariedade e na construção de alternativas aos modos institucional de enfrentamento, evidenciando que a transformação social se dá na relação e coalizões. O fortalecimento coletivo revela-se, assim, não apenas como resposta às violências, mas como forma contínua de reinvenção da vida e de insurgência cotidiana contra as estruturas da colonialidade e opressões. |
| Abstract: | This study stems from concern about the number of women who suffer various forms of violence on a daily basis, whether in their romantic relationships, in their work environment, on the streets, during their leisure time, and, above all, from the unacceptable fact that women die simply because they are women, specifically black, marginalized, and transgender women. According to the 17th Annual Report on Public Violence (FBSP, 2023), the state of Ceará was the sixth most violent in terms of domestic and family violence between 2021 and 2022. Governments and public policies need to act more effectively to protect women, and society needs to rethink the values that sustain gender coloniality, where racism, sexism, and the hierarchization of lives intersect. This historical system imposes subordination on cis and trans women, discredits their knowledge, and delegitimizes their forms of organization, sustaining isolation and silencing. In response, collective experiences affirm practices of solidarity, care, and resistance, in which political subjectivity is constructed on a daily basis. For decolonial and intersectional feminist theorists, in dialogue with Community Psychology, confronting violence happens collectively, horizontally, and dialogically, when subjects analyze their realities, become politically educated, and build networks of solidarity and care. Thus, women's collectives become spaces for mutual recognition and empowerment in the face of gender-based violence. Therefore, we ask the following question: How do women's groups/collectives act in the construction of social support networks and in the processes of political subjectivation to confront gender violence in peripheral contexts of the city of Fortaleza and the Cariri region? Therefore, our general objective is to understand how women's collectives act in the construction of social support networks and in the processes of political subjectivation to confront gender violence in peripheral contexts. For the specific objectives, we have aligned four objectives: 1) To evaluate the processes of violence experienced by women who are members of women's collectives; 2) To identify how the social support networks of women's collectives are organized; 3) To understand the meanings of social support networks in women's collectives based on women's experiences; 4) To understand how awareness-raising processes in women's collectives favor the emergence of political subjects and practices of empowerment in the face of different forms of violence. To achieve these results, we propose a critical feminist qualitative methodology inspired by decolonial and intersectional practices. This process was divided into three stages: first, we mapped women's collectives in the city of Fortaleza, identifying 34; in the second, after accepting participation, I met with members of five groups/collectives and conducted interviews with five representatives in order to bring to light the history of the collective; and, in the third stage, four thematic groups were formed with members of four groups/collectives, totaling 46 women. The interviews were conducted individually, by group. Subsequently, the interviews and thematic groups were systematized and analyzed based on a critical and situated reading, inspired by intersectional and decolonial feminist epistemologies, with the support of Atlas.ti software for organizing the narrative material. The results revealed that confronting gender-based violence and violence against women is not based solely on institutional responses, but is strengthened by social support networks and alliances between women who collectively transform their experiences of pain into political action. The collectives interviewed, Coletivo Vozes, Mulheres que se Amam, Sta. Terezinha do Tancredo Neves, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas/Ce, and Frente de Mulheres do Cariri, are configured as territories of political subjectivation, resistance, and creation, where strengthening, care, solidarity, and coalition are intertwined as practices of maintaining life and producing political subjects. It was observed that, in these spaces, the sharing of experiences of violence operates as a device for opposition consciousness and subjective reorganization. Through practices of mutual listening, circulation of knowledge, and collective action, suffering is reframed as a source of solidarity and mobilization. Women reinvent forms of political care, articulating affections, spiritualities, and community practices that go beyond the limits of state assistance. Concrete coping strategies also emerge, such as support among mothers in contexts of criminalization and poverty, welcoming women living with HIV, and creating safe spaces for coexistence and feminist training. It can be concluded that the experiences of these collectives affirm the centrality of solidarity networks and the construction of alternatives to institutional modes of coping, highlighting that social transformation occurs through relationships and coalitions. Collective strengthening thus reveals itself not only as a response to violence, but as a continuous form of reinvention of life and daily insurgency against the structures of coloniality and oppression. |
| URI: | http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86413 |
| Currículo Lattes do(s) Autor(es): | http://lattes.cnpq.br/5788157245354170 |
| ORCID do Orientador: | https://orcid.org/0000-0003-3564-8555 |
| Currículo Lattes do Orientador: | http://lattes.cnpq.br/9185040042652952 |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| Aparece nas coleções: | PPGP - Teses defendidas na UFC |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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