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Tipo: Tese
Título: Clínica Histórico-Cultural e processos de cura: um estudo-intervenção sobre as feridas coloniais de homens gays negros brasileiros
Título em inglês: Cultural-Historical Clinic and healing processes: an intervention study on the colonial wounds of black gay Brazilian men
Autor(es): Oliveira Neto, José da Silva
Orientador: Bomfim, Zulmira Áurea Cruz
Palavras-chave em português: Clínica Histórico-Cultural;Feridas coloniais;Processos de cura;Homens gays negros
Palavras-chave em inglês: Cultural-Historical Clinic;Colonial wounds;Healing processess;Black gay men;Lev Vigotski
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Data do documento: 2025
Citação: OLIVEIRA NETO, José da Silva. Clínica histórico-cultural e processos de cura: um estudo- intervenção sobre as feridas coloniais de homens gays negros brasileiros. 2025. 277 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025.
Resumo: A modernidade carrega consigo uma herança baseada na desigualdade social; nessa realidade, há pessoas valoradas com mais valor e menos valor, produzindo feridas coloniais na dinâmica psíquica daqueles valorados negativamente, o que pode ser observado na vivência de homens gays negros. A literatura especializada aponta que, por homens gays negros serem alvo do racismo e da homofobia, sua situação de saúde mental padece de prejuízos significativos, os quais se manifestam em sua conduta sob as mais diversas formas. Por outro lado, homens gays negros têm construído estratégias para lidar com os rebatimentos do racismo e da homofobia, dentre elas os processos de cura, que são tecnologias de autocuidado e intercuidado dentro da comunidade negra. Apesar disso, é sabido que o racismo e a homofobia produzem um efeito de não reconhecimento no outro, o que despotencializa os processos ancestrais de cuidado de homens gays negros consigo e uns com os outros. Nesse sentido, acredita-se que a intervenção psicoterápica, mais especificamente da Clínica Histórico-Cultural, pode se constituir em uma alternativa frente à despotencialização dos processos de cura de homens gays negros frente a suas feridas coloniais, tendo em vista que a Clínica Histórico-Cultural é uma terapêutica divergente da ideia de ser humano universal, presente nas abordagens tradicionais da Psicologia. Considerando esse contexto, este estudo teve como objetivo geral investigar as relações entre Clínica Histórico-Cultural e processos de cura em homens gays negros brasileiros. Em específico, busca-se: I) descrever as aproximações e os distanciamentos entre a Clínica Histórico-Cultural e os processos de cura de homens gays negros brasileiros; II) compreender as possibilidades e os limites da Clínica Histórico-Cultural para a atuação frente às feridas coloniais de homens gays negros brasileiros; III) analisar as narrativas de homens gays negros brasileiros sobre suas feridas coloniais; IV) propor a intervenção clínica histórico-cultural baseada nos processos de cura de homens gays negros brasileiros; e V) avaliar a intervenção clínica histórico-cultural baseada nos processos de cura de homens gays negros brasileiros. Este estudo é eminentemente qualitativo, mais especificamente do tipo pesquisa-ação, com estatística descritiva complementar. Para a construção do corpus e atender aos objetivos da pesquisa, pretende-se utilizar as seguintes ferramentas: I) Autoetnografia; II) Diário de Campo; III) Atendimentos psicoterápicos online em Clínica Histórico-Cultural; IV) Escala Self Report Questionnaire (SQR 20); e V) Instrumento Gerador dos Mapas Afetivos (IGMA). Os sentidos da pesquisa foram interpretados com base na Análise do Discurso e na Psicologia Histórico-Cultural, com uso do software ATLAS.ti versão 8. Esta tese foi composta por cinco estudos, para os quais triangulamos estratégias qualitativas e quantitativas, estas últimas em caráter complementar. O primeiro estudo indicou que a experiência de desenvolvimento de homens gays negros brasileiros é marcada por feridas coloniais de racismo e homofobia, as quais se incorporam à personalidade do indivíduo produzindo adoecimento psicológico. Avançando nesse cenário, as investigações efetuadas no segundo estudo apontaram que a psicologia clínica histórico-cultural pode se constituir em uma abordagem de trabalho contextualizada, ajudando-nos a superar a imprecisão de categorias tradicionais, brancas e ocidentais como saúde mental. Em sequência, o terceiro estudo efetuou as aproximações teóricas e epistemológicas necessárias entre a psicologia clínica histórico-cultural e as abordagens clínicas de trabalho com pessoas negras e LGBT+, evidenciando que a Psicologia Histórico-Cultural, por suas raízes históricas e epistemológicas, é apropriada para trabalhar com homens gays negros brasileiros, afinal ela se desconecta do idealismo e do mecanicismo presentes nas psicologias burguesas. No quarto estudo, analisamos as narrativas de homens gays negros e identificamos que, apesar de o processo de desenvolvimento psicológico desse público ser marcado pelas iniquidades sociais do racismo e da homofobia, há espaço para produção de processos de cura, os quais se conectam com o fortalecimento comunitário e o desenvolvimento emocional. No quinto estudo, indicou-se que o modelo clínico histórico-cultural é efetivo para a mediação e o fortalecimento de processos de cura de homens gays negros brasileiros, indicando que o modelo teórico proposto necessitou ser revisto e ampliado e que as estratégias de intervenção e manejo clínico na perspectiva histórico-cultural são eficazes para a promoção de saúde psicológica em homens gays negros brasileiros que sofrem com os rebatimentos psicológicos do racismo e da homofobia. Por fim, a pesquisa contribuiu para o fortalecimento de uma tese central, a saber: na perspectiva histórico-cultural alicerçada nos processos de cura de homens gays negros, a cura é a integração dialética de práticas de autocuidado e intercuidado acontecendo no território e a partir tanto da disponibilização de recursos mediadores saudáveis para o desenvolvimento psíquico como também da construção de estratégias de enfrentamento da homofobia e do racismo.
Abstract: Contemporaneity carries with it an inheritance based on social inequality; in this reality, there are people who are valued more and less, producing colonial wounds in the psychic dynamics of those who are valued negatively, which can be observed in the experience of black gay men. The specialized literature points out that because black gay men are the target of racism and homophobia, their mental health situation suffers significant damage, which manifests itself in their conduct in the most diverse forms. On the other hand, black gay men have built strategies to deal with the repercussions of racism and homophobia, including healing processes, which are technologies of self-care and inter-care within the black community. Despite this, it is well known that racism and homophobia produce an effect of non-recognition in the other, which disempowers the ancestral care processes of black gay men for themselves and for each other. In this sense, it is believed that psychotherapeutic intervention, more specifically the Cultural-Historical Clinic, can be an alternative to the depotentialization of the healing processes of black gay men in the face of their colonial wounds, given that the Cultural-Historical Clinic is a therapy that diverges from the idea of the universal human being, present in traditional approaches to psychology. Considering this context, the general aim of this study was to investigate the relationship between the Cultural-Historical Clinic and healing processes in black Brazilian gay men. Specifically, it seeks to: I) describe the approximations and distancing between the Cultural-Historical Clinic and the healing processes of black Brazilian gay men; II) understand the possibilities and limits of the Cultural-Historical Clinic for acting on the colonial wounds of black Brazilian gay men; III) analyze the narratives of black Brazilian gay men about their colonial wounds; IV) propose the cultural-historical clinical intervention based on the healing processes of black Brazilian gay men; and V) evaluate the cultural-historical clinical intervention based on the healing processes of black Brazilian gay men. This study is eminently qualitative, more specifically of the action-research type, with complementary descriptive statistics. In order to build the corpus and meet the research objectives, the following tools will be used: I) Autoethnography; II) Field Diary; III) Online psychotherapeutic sessions in the Cultural-Historical Clinic; IV) Self Report Questionnaire (SQR 20); and V) Affective Map Generator Instrument (IGMA). The meanings of the research will be interpreted based on Discourse Analysis and Cultural-Historical Psychology, using ATLAS.ti software version 8. The first study indicated that the developmental experience of black gay men in Brazil is marked by colonial wounds of racism and homophobia, which become incorporated into the individual's personality, producing psychological illness. Building on this scenario, the investigations carried out in the second study pointed out that historical-cultural clinical psychology can constitute a contextualized work approach, helping us to overcome the inaccuracy of traditional, white, and Western categories such as mental health. Subsequently, the third study made the necessary theoretical and epistemological connections between historical-cultural clinical psychology and clinical approaches to working with black and LGBT+ people, showing that Historical-Cultural Psychology, due to its historical and epistemological roots, is appropriate for working with black gay Brazilian men, after all, it is disconnected from the idealism and mechanism present in bourgeois psychologies. In the fourth study, we analyzed the narratives of black gay men and identified that, although the psychological development process of this population is marked by the social inequalities of racism and homophobia, there is room for healing processes, which are connected to community strengthening and emotional development. In the fifth study, it indicated that the historical-cultural clinical model is effective for mediating and strengthening healing processes in black gay Brazilian men, indicating that the proposed theoretical model needed to be revised and expanded and that intervention and clinical management strategies from a historical-cultural perspective are effective for promoting psychological health in black gay Brazilian men who suffer from the psychological repercussions of racism and homophobia. Finally, the research contributed to strengthening a central thesis, namely: from a historical-cultural perspective based on the healing processes of black gay men, healing is the dialectical integration of self-care and mutual care practices taking place in the territory and based both on the availability of healthy mediating resources for psychological development and on the construction of strategies for confronting homophobia and racism.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/84836
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/3191926952094886
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/1210419516945897
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Aparece nas coleções:PPGP - Teses defendidas na UFC

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