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Tipo: Tese
Título: Caracterização genética da Neoplasia Endócrina Múltipla do Tipo 1 no Baixo Jaguaribe, Ce: o impacto do rastreamento molecular da variante germinativa, MEN1 c.654G>T
Autor(es): Pinheiro, Sabrina Magalhães Pedrosa Rocha
Orientador: Moraes, Maria Elisabete Amaral de
Coorientador: Quidute, Ana Rosa Pinto
Palavras-chave em português: Programas de Rastreamento;Neoplasia Endócrina Múltipla Tipo 1;Testes Genéticos
Palavras-chave em inglês: mass screening;Multiple Endocrine Neoplasia Type 1;genetic testing
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
Data do documento: 2026
Citação: PINHEIRO, Sabrina Magalhães Pedrosa Rocha. Caracterização genética da Neoplasia Endócrina Múltipla do Tipo 1 no Baixo Jaguaribe, Ce: o impacto do rastreamento molecular da variante germinativa, MEN1 c.654G>T. 2026. Tese (Doutorado em Medicina Translacional) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2026. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86540. Acesso em: 30 maio 2026.
Resumo: A Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (NEM1) é uma síndrome rara, de herança autossômica dominante, causada por variantes germinativas patogênicas no gene MEN1, que predispõem ao desenvolvimento de neoplasias endócrinas e não endócrinas, com maior frequência nas paratireoides, hipófise e células endócrinas duodenais/pancreáticas. O diagnóstico clínico de NEM1 é estabelecido quando é observado ao menos um dos seguintes critérios: tumores acometendo pelo menos dois dos tecidos endócrinos associados; ocorrência de um único tumor associado em parente de primeiro grau de indivíduo com diagnóstico clínico confirmado; ou identificação de variante patogênica germinativa no gene MEN1. Este estudo delimitou uma microrregião geográfica no Baixo Jaguaribe, interior do Ceará, para investigar a variabilidade clínica de casos de NEM1 em portadores da variante germinativa patogênica NM_001370259.2(MEN1):c.654+1G>T e avaliar o impacto da implementação do rastreamento molecular dessa variante entre familiares em risco residentes na região. Foi proposto um fluxo de atendimento que ofertou o teste genético por Sanger a pacientes com diagnóstico clínico e a seus familiares em risco, além da elaboração de heredogramas para investigação familiar. O estudo incluiu 50 indivíduos: cinco casos índices com diagnóstico clínico confirmado e 45 familiares, todos pertencentes a cinco famílias da mesma região, sem vínculo parental entre famílias. Os casos índices apresentaram confirmação genética pela identificação da variante patogênica MEN1. Entre os 45 familiares em risco, 18 (40,0%) herdaram a variante, enquanto 27 (60,0%) não a apresentaram e foram excluídos do seguimento clínico. Do total de portadores, dez eram assintomáticos (43,5%). Na coorte do estudo, 23 indivíduos (46,0%) com a presença da variante foram distribuídos em três grupos: casos índices (n = 5), com idade média de 45,6 anos (±15,2); familiares com manifestações clínicas (n = 8), com idade média de 48,1 anos (±14,3); e familiares assintomáticos (n = 10), com idade média de 27,8 anos (±13,9). A análise etária demonstrou diferença significativa entre os grupos de familiares sintomáticos e assintomáticos (p = 0,027), sugerindo que a oferta precoce do teste genético nessa população de risco pode melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade. Além disso, as médias etárias dos casos índices e dos familiares sintomáticos apontam para um intervalo prolongado entre o início dos sintomas e o acesso ao serviço de referência, retardando o rastreamento familiar, enquanto a menor idade dos assintomáticos reforça a relevância do diagnóstico precoce. Não foram observadas diferenças significativas entre os sexos. Quanto às manifestações clínicas, tumores hipofisários foram prevalentes entre os casos índices, com a tríade clássica da NEM1 presente em quatro dos cinco indivíduos. Entre os familiares sintomáticos, o hiperparatireoidismo primário e os tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos foram as manifestações iniciais mais frequentes. Lesões cutâneas sugestivas de colagenomas foram identificadas em três indivíduos, funcionando como sinais de alerta clínico. O estudo promoveu rastreamento ativo e sistemático, com construção de heredogramas e sequenciamento genético em múltiplas gerações das cinco famílias, evidenciando padrão de transmissão vertical compatível com herança autossômica dominante de alta penetrância. A identificação da mesma variante patogênica em casos índices não aparentados, em região sem “hot spots mutacionais” descritos para MEN1, sugere possível efeito fundador, possivelmente associado a isolamento geográfico e/ou endogamia característicos de comunidades rurais.
Abstract: Multiple Endocrine Neoplasia type 1 (MEN1) is a rare autosomal dominant inherited syndrome caused by pathogenic germline variants in the MEN1 gene, predisposing affected individuals to the development of endocrine and non-endocrine neoplasms, most commonly involving the parathyroid glands, pituitary gland, and duodenopancreatic endocrine cells. The clinical diagnosis of MEN1 is established when at least one of the following criteria is met: the presence of tumours affecting at least two MEN1-associated endocrine tissues; the occurrence of a single MEN1- associated tumour in a first-degree relative of an individual with a confirmed clinical diagnosis; or the identification of a pathogenic germline variant in the MEN1 gene. This study defined a geographical microregion in Baixo Jaguaribe, in the interior of Ceará, Brazil, to investigate the clinical variability of MEN1 cases in carriers of the pathogenic germline variant NM_001370259.2(MEN1):654+1G>T and to assess the impact of implementing molecular screening for this variant among at-risk relatives residing in the region. A care pathway was proposed, offering Sanger sequencing to patients with a clinical diagnosis and their at-risk relatives, in addition to the construction of pedigree charts for family investigation. The study included 50 individuals: five index cases with a confirmed clinical diagnosis and 45 relatives, all belonging to five families from the same geographical region, with no known parental relationship between the families. The index cases were genetically confirmed through identification of the pathogenic MEN1 variant. Among the 45 at-risk relatives, 18 (40.0%) had inherited the variant, whereas 27 (60.0%) did not carry it and were therefore excluded from clinical follow-up. Of the total number of variant carriers, ten were asymptomatic (43.5%). In the study cohort, the 23 individuals carrying the variant were divided into three groups: index cases (n = 5), with a mean age of 45.6 years (±15.2); relatives with clinical manifestations (n = 8), with a mean age of 48.1 years (±14.3); and asymptomatic family members (n = 10), with a mean age of 27.8 years (±13.9). Age analysis revealed a significant difference between symptomatic and asymptomatic family members (p = 0.027), suggesting that early access to genetic testing in this at-risk population may improve prognosis and reduce morbidity and mortality. Furthermore, the mean ages of the index cases and symptomatic relatives suggest a prolonged interval between symptom onset and referral to specialized care, delaying family screening, whereas the younger age of asymptomatic individuals underscores the importance of early diagnosis. No significant differences were observed between sexes. Regarding clinical manifestations, pituitary tumours were prevalent among index cases, with the classic MEN1 triad present in four of the five individuals. Among symptomatic relatives, primary hyperparathyroidism and gastroenteropancreatic neuroendocrine tumours were the most frequent initial manifestations. Skin lesions suggestive of collagenomas were identified in three individuals and may represent important clinical warning signs. The study involved active and systematic screening, including pedigree construction and genetic sequencing across multiple generations of five families, revealing a pattern of vertical transmission consistent with highly penetrant autosomal dominant inheritance. The identification of the same pathogenic variant in unrelated index cases, in a region without previously described MEN1 mutational hot spots, suggests a possible founder effect, potentially associated with geographical isolation and/or inbreeding characteristic of rural communities.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/86540
ORCID do(s) Autor(es): https://orcid.org/0000-0003-1532-6188
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/7158354655143038
ORCID do Orientador: https://orcid.org/0000-0002-6826-8930
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/3565768281344086
ORCID do Coorientador: https://orcid.org/0000-0003-1876-6410
Currículo Lattes do Coorientador: http://lattes.cnpq.br/0730748142072670
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Aparece nas coleções:PPGMDT - Teses defendidas na UFC

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