Use este identificador para citar ou linkar para este item:
http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/85980| Tipo: | Tese |
| Título: | Da música ao silêncio: identitarismo prescritivo e a vigilância da representação em Emilia Pérez |
| Título em inglês: | From music to silence: prescriptive identitarianism and the surveillance on representation in the movie Emilia Pérez |
| Autor(es): | Peixoto, Marcio Silva |
| Orientador: | Parode, Fábio Pezzi |
| Palavras-chave em português: | Identitarismo prescritivo;Representação;Cancelamento;Recepção crítica;Cultura digital |
| Palavras-chave em inglês: | Prescriptive identitarianism;Representation;Cancel culture;Critical reception;Digital culture |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::COMUNICACAO |
| Data do documento: | 2026 |
| Citação: | PEIXOTO, Marcio Silva. Da música ao silêncio: identitarismo prescritivo e a vigilância da representação em Emilia Pérez. 2026. 156 f. Tese (Doutorado em Comunicação) – Programa de Pós-graduação em Comunicação, Instituto de Cultura e Arte, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2026. |
| Resumo: | Esta pesquisa investiga as disputas simbólicas, políticas e discursivas que emergiram em torno do filme Emília Pérez (2024), dirigido por Jacques Audiard, analisando como a obra foi rapidamente situada no centro de controvérsias sobre representação, identidade e legitimidade cultural, sendo rotulada por parte da crítica digital e do jornalismo militante como uma obra "transfóbica", "xenofóbica" e "racista". Em vez de assumir tais acusações como ponto de partida interpretativo, este estudo propõe compreendê-las como sintomas de um regime contemporâneo de recepção marcado por expectativas identitárias normativas e vigilância moral, que atravessam o campo cultural e reorganizam os críteiros de legibilidade da arte. Para compreender esse fenômeno, desenvolvi o conceito de identitarismo prescritivo (FRASER, 1995, 2000; BROWN, 1995; HAIDER, 2018; RANCIÈRE, 2009; MONDZAIN, 2013, 2017) como um operador teórico-metodológico destinado a descrever o conjunto de expectativas normativas que regulam quem pode narrar as histórias de sujeitos subalternizados (SPIVAK, 2010), quais afetos são considerados legítimos e quais representações são autorizadas como politicamente aceitáveis dentro do debate cultural contemporâneo. Em seguida, emprego uma metodologia mista no processo de análise do corpus da pesquisa: 1. utilizo uma abordagem crítico-discursiva apoiada no método de análise crítica da narrativa (MOTTA, 2013), associado ao enquadramento do recurso linguístico da ironia como operador de comunidades interpretativas (HUTCHEON, 2000) e do modelo de participação interacional (GOFFMAN, 1986), permitindo mapear os mecanismos de endereçamento, pertencimento simbólico e produção de consensos interpretativos; e 2. faço o uso de diagramas como recurso analítico oriundo do design da informação (BONSIEPE, 2011; WARE, 2012; TUFTE, 2007), permitindo a visualização de padrões avaliativos e semânticos no conteúdo analisado. A análise das cinco críticas internacionais integrantes do corpus da pesquisa (Autostraddle, THEM, CBC Arts, The Pink News e El País) evidencia convergências retóricas e afetivas que sustentam o processo de cancelamento público do filme, compreendido aqui como prática midiática inserida em uma economia moral contemporânea (MISKOLCI, 2025) e articulada às dinâmicas do novo espaço público digital (BOSCO, 2017). O caso Emilia Pérez emerge, assim, como paradigma para a compreensão das novas formas de policiamento simbólico que incidem sobre as obras artísticas que tratam de minorias sociais, revelando uma crise contemporânea do olhar (MONDZAIN, 2013), na qual a ambiguidade estética e o dissenso tendem a ser subordinados a regimes morais de visibilidade e correção identitária. |
| Abstract: | This research investigates the symbolic, political, and discursive disputes that emerged around the film Emilia Pérez (2024), directed by Jacques Audiard, analyzing how the work was quickly placed at the center of controversies over representation, identity, and cultural legitimacy, being labeled by parts of digital criticism and activist journalism as a "transphobic," "xenophobic," and "racist" work. Instead of taking such accusations as an interpretive starting point, this study proposes to understand them as symptoms of a contemporary reception regime marked by normative identity expectations and moral surveillance, which traverse the cultural field and reorganize the criteria of art legibility. To understand this phenomenon, I developed the concept of prescriptive identitarianism (FRASER, 1995, 2000; BROWN, 1995; HAIDER, 2018; RANCIÈRE, 2009; MONDZAIN, 2013, 2017) as a theoretical-methodological operator intended to describe the set of normative expectations that regulate who can narrate the stories of marginalized subjects (SPIVAK, 2010), which affects are considered legitimate, and which representations are authorized as politically acceptable within contemporary cultural debate. Next, I employ a mixed methodology in the process of analyzing the research corpus: 1. I use a critical-discursive approach supported by the method of critical narrative analysis (MOTTA, 2013), combined with the framing of the linguistic resource of irony as an operator of interpretive communities (HUTCHEON, 2000) and the model of interactional participation (GOFFMAN, 1986), allowing mapping of address mechanisms, symbolic belonging, and production of interpretive consensus; and 2. I make use of diagrams as an analytical resource derived from information design. (BONSIEPE, 2011; WARE, 2012; TUFTE, 2007), allowing the visualization of evaluative and semantic patterns in the analyzed content. The analysis of the five international reviews included in the research corpus (Autostraddle, THEM, CBC Arts, The Pink News, and El País) reveals rhetorical and affective convergences that support the public canceling process of the film, understood here as a media practice inserted in a contemporary moral economy (MISKOLCI, 2025) and articulated with the dynamics of the new digital public space (BOSCO, 2017). The Emilia Pérez case thus emerges as a paradigm for understanding new forms of symbolic policing that affect artistic works addressing social minorities, revealing a contemporary crisis of perception (MONDZAIN, 2013), in which aesthetic ambiguity and dissent tend to be subordinated to moral regimes of visibility and identity correction. |
| URI: | http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/85980 |
| ORCID do(s) Autor(es): | https://orcid.org/0000-0002-7527-1804 |
| Currículo Lattes do(s) Autor(es): | http://lattes.cnpq.br/9806679524991041 |
| ORCID do Orientador: | https://orcid.org/0000-0002-7602-8865 |
| Currículo Lattes do Orientador: | http://lattes.cnpq.br/2559908721277242 |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| Aparece nas coleções: | PPGCOM - Teses defendidas na UFC |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| 2026_tese_mspeixoto.pdf | 2,6 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.