Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/85400
Tipo: TCC
Título: É símbolo de resistência ser mulher, preta e probre no lixão do Alto São João em Russas - CE?
Autor(es): Sotero, Rafaell Nobre
Orientador: Reis, Lucelindo Dias Ferreira Junior Reis
Palavras-chave em português: Direitos Humanos;Coletores de material reciclável;Condições de Trabalho;Violência no trabalho;Lixão
Data do documento: 20-Jan-2028
Resumo: A coleta de materiais recicláveis no Brasil é marcada por precariedade laboral, evidenciada pelos altos índices de acidentalidade no setor, cujas estatísticas ainda subnotificam a realidade da informalidade nos lixões. Este artigo analisa as violências físicas e simbólicas vivenciadas pelos coletores do lixão do Alto São João, em Russas-CE, sob a perspectiva da interseccionalidade entre gênero, raça e classe. O estudo fundamenta-se na premissa de que o crescimento urbano desigual no município consolidou territórios de alta vulnerabilidade socioambiental, onde o risco ocupacional se funde à violência estrutural. Metodologicamente, a pesquisa configura-se como um estudo de campo qualitativo e descritivo-analítico, derivado de um projeto de Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 22 catadores, selecionados por amostragem de conveniência e mediação comunitária. Os resultados demonstram que a condição de ser mulher, preta e pobre no lixão implica em uma exposição desproporcional a riscos de morte e estigmatização social, exemplificada por episódios recentes de óbito e agressões no local. Conclui-se que a trajetória dessas trabalhadoras, longe de ser apenas um símbolo de resistência, configura uma permanência, senso de continuidade, em estratos de pobreza extrema, num contraditório à percepção de dignidade no trabalho, revelando a desumanização no semiárido cearense.
Abstract: Recyclable material collection in Brazil is characterized by labor precariousness, evidenced by high occupational accident rates in the sector, whose statistics still underreport the reality of informality in open dumps. This article analyzes the physical and symbolic violence experienced by waste pickers at the Alto São João dump in Russas-CE, through the lens of intersectionality between gender, race, and class. The study is based on the premise that unequal urban growth in the municipality has consolidated territories of high socio-environmental vulnerability, where occupational risk merges with structural violence. Methodologically, the research is a qualitative and descriptive-analytical field study, derived from an Ergonomic Work Analysis (EWA) project. Semi-structured interviews were conducted with 22 waste pickers, selected through convenience sampling and community mediation. The results demonstrate that being a Black, poor woman at the dump implies disproportionate exposure to risks of death and social stigmatization, exemplified by recent episodes of fatalities and assaults on-site. It is concluded that the trajectory of these workers, far from being merely a symbol of resistance, constitutes a permanency—a sense of continuity—within strata of extreme poverty, contradicting the perception of dignity in labor and revealing dehumanization in the Ceará semi-arid region.
Descrição: Artigo aproveitado como tcc
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/85400
Tipo de Acesso: Acesso Embargado
Aparece nas coleções:ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - RUSSAS - Monografias

Arquivos associados a este item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
2026_tcc_srafaell-1.pdf559,41 kBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.