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Tipo: Tese
Título: Forma-de-vida e técnicas de si: problemas colocados à subjetividade a partir do pensamento de Michel Foucault e Giorgio Agamben
Título em inglês: Forms of life and techniques of the self: Problems posed to subjectivity from the thought of Michel Foucault and Giorgio Agamben
Autor(es): Almeida, Davi da Costa
Orientador: Aguiar, Odílio Alves
Palavras-chave em português: Giorgio Agamben;Forma-de-vida;Michel Foucault;Técnicas de si
Palavras-chave em inglês: Giorgio Agamben;Form-of-life;Michel Foucault;Self techniques
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
Data do documento: 2025
Citação: ALMEIDA, Davi da Costa. Forma-de-vida e técnicas de si: problemas colocados à subjetividade a partir do pensamento de Michel Foucault e Giorgio Agamben. 2025. 281 f. Tese (Doutorado em Filosofia) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025.
Resumo: A presente pesquisa parte da crise que se instaura no contexto das subjetividades, que atravessa as bipolaridades que envolvem o dentro e o fora, inclusão e exclusão, bíos e zoé, vida qualificada e vida nua, que separa a vida da sua forma e a forma-de- vida da vida propriamente dita. O problema de pesquisa se desdobra da seguinte forma: como Giorgio Agamben pensa a construção da subjetividade; como ele pensa ultrapassar os limites impostos pela vida nua capturada pelo estado de exceção e marcada pela dessubjetivação causada pelos dispositivos biopolíticos; como o filósofo pensa uma forma-de-vida, uma vida humana, totalmente subtraída das garras do direito e um uso dos corpos e do mundo que nunca acabe numa apropriação? Portanto, as respostas atravessam as caracterizações que envolvem a construção dos conceitos “ser-qualquer”, “resto”, “forma-de-vida” em oposição à vida nua; conceito de “potência messiânica” que inverte o uso dos corpos e das coisas, que profana a sacralidade da vida e das coisas ideais e materiais. Conjuntamente com esses questionamentos, percebe-se claramente as influências de Michel Foucault no desenvolvimento dos estudos agambenianos. Pois, percebe-se que o sujeito, para Foucault, é constituído por operadores e dispositivos disciplinares e biopolíticos de controle. Já para Agamben, o sujeito é o resultado de operadores de exceção e dispositivos biopolíticos. Assim, as técnicas de si, conceito foucaultiano utilizado para compreender a construção da subjetividade, devem ser analisadas conjuntamente com o aparecimento desses dispositivos modernos e contemporâneos. Pois, se para Agamben, uma “Forma-de-Vida” é possível de ser construída em oposição à Vida Nua, então, precisa-se entender como as técnicas de si estão correlacionadas com esses processos e como tais “técnicas de si” misturam-se com os dispositivos biopolíticos e os operadores de exceção. Portanto, o último Foucault da história da sexualidade é também o Foucault que vai tentar entender a subjetividade como uma construção mais íntima de cada indivíduo consigo mesmo, ao mesmo tempo em que é uma subjetividade atravessada pelo aparecimento das disciplinas e do biopoder, e no caso de Agamben, da exceção. As “técnicas de si” são procedimentos de governamentalidades que os próprios sujeitos desenvolvem para produzir seus corpos, produzir a si mesmos, produzir as suas subjetividades, produzir as suas verdades. Então, a problemática que girava em torno do entendimento sobre a subjetividade em Agamben, desdobra-se sobre a problemática do entendimento sobre a subjetividade também a partir de Foucault. Ou seja: como as técnicas de si ou quais técnicas de si podem constituir uma nova forma-de-vida; como as formas de veridicção estão correlacionadas com as técnicas de si para construir uma nova forma-de-vida; como tal entrelaçamento entre as formas de veridicção e as técnicas de si se apresenta na altíssima pobreza; como tais técnicas de si e formas de veridicção se correlacionam com a potência messiânica; como tais técnicas de si contribuem e produzem um novo uso dos corpos para além das relações de apropriação e controle? Os objetivos dessa pesquisa atravessam, na sua centralidade, compreender a forma- de-vida e seus desdobramentos com relação à exceção em Agamben. Ou seja, identificar os elementos que nos permitem definir a subjetividade para Agamben; compreender como o filósofo pensa ultrapassar os limites impostos pela vida nua marcada pelos processos de dessubjetivação biopolíticos; entender como é possível no pensamento agambeniano uma forma-de-vida, uma vida humana, totalmente subtraída das garras do direito e um uso dos corpos e do mundo que nunca se reduza a uma relação de propriedade, de apropriação. Também se tem como objetivo compreender as aproximações possíveis entre os últimos estudos foucaultianos sobre as técnicas de si, as práticas de si, que envolvem as tecnologias do sujeito, e o desenvolvimento da forma-de-vida em Agamben. Pois, para se constituir uma forma- de-vida, são necessárias técnicas de si, cujas verdades de si permitem ao sujeito se fazer a si próprio, mesmo que essa forma-de-vida se constitua a partir do imponderável, do intempestivo.
Abstract: This research begins with the crisis emerging within the context of subjectivities, which permeates the bipolarities involving inside and outside, inclusion and exclusion, bios and zoe, qualified life and bare life, which separate life from its form and the form-of- life from life itself. The research problem unfolds as follows: how does Giorgio Agamben consider the construction of subjectivity; how does he envisage overcoming the limits imposed by bare life captured by the state of exception and marked by the desubjectification caused by biopolitical mechanisms; how does the philosopher envisage a form-of-life, a human life, completely removed from the clutches of law and a use of bodies and the world that never ends in appropriation? Therefore, the answers traverse the characterizations that involve the construction of the concepts "any- being," "remainder," and "form-of-life" in opposition to bare life; The concept of "messianic power" inverts the use of bodies and things, desecrating the sacredness of life and ideal and material things. Along with these questions, Michel Foucault's influence on the development of Agambenian studies is clearly evident. For Foucault, the subject is constituted by disciplinary and biopolitical operators and devices of control. For Agamben, the subject is the result of exception operators and biopolitical devices. Thus, the techniques of the self, a Foucauldian concept used to understand the construction of subjectivity, must be analyzed in conjunction with the emergence of these modern and contemporary devices. For Agamben, a "Form-of-Life" can be constructed in opposition to Bare Life, and therefore, it is necessary to understand how the techniques of the self are correlated with these processes and how such "techniques of the self" intertwine with biopolitical devices and exception operators. Therefore, the last Foucault in the history of sexuality is also the Foucault who will attempt to understand subjectivity as a more intimate construction of each individual within themselves, while simultaneously being a subjectivity permeated by the emergence of disciplines and biopower, and in Agamben's case, exception. The "techniques of the self" are procedures of governmentality that subjects themselves develop to produce their bodies, produce themselves, produce their subjectivities, and produce their truths. Thus, the problematic that revolved around the understanding of subjectivity in Agamben unfolds into the problematic of understanding subjectivity also from Foucault's perspective. That is: how the techniques of the self, or which techniques of the self, can constitute a new form-of-life; how forms of veridiction are correlated with the techniques of the self to construct a new form-of-life; how such an intertwining of forms of veridiction and the techniques of the self presents itself in extreme poverty; How do such techniques of the self and forms of veridiction correlate with messianic power? How do such techniques of the self contribute to and produce a new use of bodies beyond relations of appropriation and control? The objectives of this research are, at their core, to understand the form-of-life and its developments in relation to the exception in Agamben. That is, to identify the elements that allow us to define subjectivity for Agamben; to understand how the philosopher intends to transcend the limits imposed by bare life marked by processes of biopolitical desubjectification; to understand how it is possible in Agambenian thought to create a form-of-life, a human life, completely removed from the clutches of law, and a use of bodies and the world that is never reduced to a relationship of ownership or appropriation. The aim is also to understand the possible connections between Foucault's latest studies on the techniques of the self, the practices of the self, which involve technologies of the subject, and the development of the form-of-life in Agamben. For, in order to constitute a form-of-life, techniques of the self are necessary, whose truths of the self allow the subject to make himself, even if this form-of-life is constituted from the imponderable, the untimely.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/84186
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/0514338751601596
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/8011131702959906
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
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