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http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/84089| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Chikungunya em Fortaleza: padrões epidemiológicos, espaciais e temporais em anos epidêmicos e não epidêmicos (2016-2022) |
| Autor(es): | Marques, Kamilla Carneiro Alves |
| Orientador: | Alencar, Carlos Henrique Morais |
| Palavras-chave em português: | Arbovirose;Chikungunya;Epidemiologia;Doenças Reemergentes;Análise Espacial |
| Palavras-chave em inglês: | Arbovirus;Chikungunya;Epidemiology;Re-emerging Diseases;Spatial Analysis |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA::SAUDE PUBLICA |
| Data do documento: | 2025 |
| Citação: | MARQUES, Kamilla Carneiro Alves Marques. Chikungunya em Fortaleza: padrões epidemiológicos, espaciais e temporais em anos epidêmicos e não epidêmicos (2016-2022). 2025. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, 2025. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/ 84089. Acesso em: 06 jan. 2026. |
| Resumo: | Introdução: A chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti que tem causado grandes epidemias nas Américas. Fortaleza (Brasil) destaca-se por ser uma das poucas cidades do continente a registrar surtos em anos consecutivos, um fenômeno incomum. A capital consolida-se como um dos principais epicentros da doença, com uma das maiores cargas de casos e óbitos já registradas na América. Objetivos: Caracterizar os padrões epidemiológicos, temporais e espaciais da chikungunya nos períodos epidêmicos e não epidêmicos no município de Fortaleza, 2016 - 2022. Métodos: O estudo compreendeu três subestudos: Subestudo 1 - Análise de Tendência Temporal: Empregou regressão linear segmentada para identificar pontos de inflexão na série temporal de incidência, calculando a variação percentual semanal (VPS). Os dados foram organizados em três períodos: epidêmico (2016-2017), interepidêmico (2018-2021) e epidêmico (2022). Subestudo 2 - Análise de Distribuição Espacial: Foram utilizados três métodos complementares: (a) suavização bayesiana empírica local; (b) autocorrelação espacial; © varredura espacial. Unidades de análise foram os 4.422 setores censitários do município. Subestudo 3 - Análise Espaço-Temporal: Foi aplicada estatística Scan retrospectiva espaço-temporal. Fonte de dados foi o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN). Foram inclusos todos os casos confirmados laboratorialmente ou por critério clínico-epidemiológico. Resultados: Entre 2016 e 2022, Fortaleza registrou 100.142 casos confirmados de chikungunya. A análise temporal evidenciou padrão cíclico, com dois grandes picos epidêmicos (2016–2017 e 2022) e um período interepidêmico (2018–2021) de baixa transmissão, porém com persistência viral residual. A análise espacial revelou distribuição heterogênea, com formação de clusters persistentes de alto risco nas regiões central, sudoeste e oeste, coincidentes com áreas de maior densidade populacional e vulnerabilidade socioambiental. Na primeira onda epidêmica (2016-2017), a suavização bayesiana indicou incidência média de 1.517,7 casos/100 mil habitantes, e o Índice de Moran Local identificou 284 setores alto-alto (6,4%), enquanto a varredura espacial detectou 20 clusters significativos, sendo o principal com 43.540 casos, risco relativo (RR) = 2,29. Durante o período interepidêmico, mesmo com incidência reduzida, 349 setores (7,9%) permaneceram classificados como alto-alto, o que reflete a manutenção de microterritórios críticos. Em 2022, observou-se expansão e fragmentação dos focos, com 19 clusters estatisticamente significativos (RR=2,13–3,46) e surgimento de novos pontos de transmissão nas regiões noroeste e periféricas, o que evidencia a reativação de áreas históricas e propagação para zonas limítrofes. A análise espaço-temporal reforçou essa continuidade, mostrando persistência de aglomerados ao longo do tempo, com deslocamento progressivo da transmissão das áreas centrais para as periferias e manutenção de núcleos estáveis de alto risco em microterritórios densamente povoados. Conclusão: A chikungunya em Fortaleza expressa um modelo urbano de transmissão persistente, sustentado por vulnerabilidades estruturais e pela continuidade do vetor em áreas densamente povoadas. O estudo evidencia a importância de uma vigilância territorializada e contínua, apoiada em análises espaço-temporais, para antecipar riscos e direcionar intervenções. A mitigação do risco de transmissão requer ações intersetoriais estruturantes, voltadas ao saneamento, habitação e manejo ambiental, capazes de reduzir desigualdades e prevenir a reemergência de surtos em grandes centros urbanos tropicais. |
| Abstract: | Introduction: Chikungunya is an arboviral disease transmitted by Aedes aegypti that has caused major epidemics in the Americas. Fortaleza (Brazil) stands out as one of the few cities on the continent to register outbreaks in consecutive years, an uncommon occurrence. The capital city is consolidating itself as one of the main epicenters of the disease, with one of the highest case and death burdens ever recorded in the Americas. Objectives: To characterize the epidemiological, temporal, and spatial patterns of chikungunya during epidemic and non-epidemic periods in the municipality of Fortaleza, 2016-2022. Methods: The study comprised three substudies: Substudy 1 - Temporal Trend Analysis: We employed a segmented linear regression to identify the inflection points in the incidence time series through the calculation of the weekly percentage (WPC) with 95% confidence interval. Data were organized in three periods: epidemic (2016-2017), inter-epidemic (2018-2021) and epidemic (2022). Statistical significance was tested using Poisson model with 4,499 Monte Carlo replications (p<0.05). Substudy 2 - Spatial Distribution Analysis: We employed three complementary methods: (a) local empirical Bayesian smoothing; (b) spatial autocorrelation; (c) spatial scan. Units of analysis: 4,422 census sectors in the municipality. Substudy 3 - Spatio-Temporal Analysis: We applied a retrospective spatio-temporal Scan statistics. For this analysis, we used the Notification of Diseases Information System as the data source. We included all cases confirmed by either a laboratory test or clinical-epidemiological criteria. Results: Between 2016 and 2022, Fortaleza recorded 100,142 confirmed cases of chikungunya. Temporal analysis revealed a cyclical pattern, with two major epidemic peaks (2016–2017 and 2022) and an inter-epidemic period (2018–2021) of low transmission, but with residual viral persistence. Spatial analysis revealed a heterogeneous distribution, with the formation of persistent high-risk clusters in the central, southwest, and west regions, coinciding with areas of higher population density and socio-environmental vulnerability. In the first epidemic wave (2016-2017), Bayesian smoothing indicated an average incidence of 1,517.7 cases/100,000 inhabitants, and the Local Moran's I index identified 284 high-high sectors (6.4%), while spatial scanning detected 20 significant clusters, the main one with 43,540 cases, relative risk (RR) = 2.29. During the inter-epidemic period, even with reduced incidence, 349 sectors (7.9%) remained classified as high-high, reflecting the maintenance of critical micro-territories. In 2022, expansion and fragmentation of outbreaks were observed, with 19 statistically significant clusters (RR=2.13–3.46) and the emergence of new transmission points in the northwest and peripheral regions, evidencing the reactivation of historical areas and propagation to border zones. The spatio-temporal analysis reinforced this continuity, showing the persistence of clusters over time, with a progressive shift of transmission from central areas to the peripheries and the maintenance of stable high-risk nuclei in densely populated micro-territories. Conclusions: Chikungunya in Fortaleza reflects a persistent urban transmission model, sustained by structural vulnerabilities and the continued presence of the vector in densely populated areas. The study highlights the importance of territorial and continuous surveillance, supported by spatio-temporal analyses, to anticipate risks and guide interventions. Mitigating the risk of transmission requires structural intersectoral actions focused on sanitation, housing, and environmental management, capable of reducing inequalities and preventing the re-emergence of outbreaks in large tropical urban centers. |
| URI: | http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/84089 |
| ORCID do(s) Autor(es): | https://orcid.org/0009-0009-1593-1258 |
| Currículo Lattes do(s) Autor(es): | http://lattes.cnpq.br/1783980724944213 |
| ORCID do Orientador: | https://orcid.org/0000-0003-2967-532X |
| Currículo Lattes do Orientador: | http://lattes.cnpq.br/5042413729241783 |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| Aparece nas coleções: | PPGSP - Teses defendidas na UFC |
Arquivos associados a este item:
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