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Tipo: Livro
Título: Aulas sobre o farmacopoder I: o nascimento das moléculas
Autor(es): Silva, Cléber Domingos Cunha da
Palavras-chave em português: Farmácia;Farmacologia;Assistência Farmacêutica;Preparações Farmacêuticas
Palavras-chave em inglês: Pharmacy;Pharmacology;Pharmaceutical Services;Pharmaceutical Preparations
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::FARMACIA
Data do documento: 2025
Instituição/Editor/Publicador: Ed. do Autor
Citação: SILVA, Cléber Domingos Cunha da. Aulas sobre o farmacopoder I: o nascimento das moléculas. Fortaleza: Ed. do Autor, 2025. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/83282. Acesso em: 04 nov. 2025.
Resumo: Em 1999 fiz meu primeiro contato com as obras de Michel Foucault. Graduado em Farmácia, minhas perspectivas sobre o que seja um medicamento se ampliaram graças ao contato com este e outros filósofos que me foram apresentados em minha trajetória acadêmica. A farmacologização da sociedade, a produtividade acadêmica, a proliferação de cursos de farmácia e de redes de drogarias, em todo o Brasil, e o aparecimento da nanotecnologia me instigaram a aceitar o desafio em realizar uma genealogia do farmacopoder, do nascimento da farmacobiopolítica. Este livro, em formato de aulas, busca demonstrar o percurso de uma genealogia, cujo principal objetivo não é de apresentar “verdadeiras respostas”, mas o de apresentar uma experimentação. Portanto, não se trata de um livro escrito por um filósofo, porém, tampouco traz consigo o jargão técnico de um farmacêutico. Como já mencionado, é uma experimentação que, ao ser apresentada em formato de aulas, manifesta a ousadia de afirmar que ensinar é, antes de tudo, admitir que é preciso saber, num contínuo devir. Quando optei pela realização de uma genealogia, era sabedor de que todo o material que conseguisse me apropriar, me solicitariam uma demora. O demorar-se tem como finalidade a busca de demarcação de singularidades de alguns acontecimentos. Abandonar a pretensão de traçar curvas lineares, atreve-me a definir lacunas, recusar-me à pressa: contínuos desafios. Os materiais analisados exigiram, e ainda exigem, uma análise minuciosa, uma paciência. Portanto, de início, sinalizo que o percurso adotado não teve a pretensão de explicar e nem de compreender o fenômeno em toda a sua vastidão. O que foi possível coletar para a preparação dessas aulas foram fragmentos, recortes históricos, materiais que ainda consideramos insuficientes. Entretanto, para tentar remover máscaras, com o intuito de desvelarmos uma identidade primeira, se é que seja possível, nos disponibilizamos a escutar a história. E quando digo, escutar a história, estou pensando em Nietzsche. Para esse pensador, o que encontraremos no começo histórico não é uma identidade preservada, mas disputas, despropósitos e contradições. As genealogias, como disse Foucault, “são na realidade anticiências”, não que elas rejeitem o saber e elogiem as ignorâncias, mas se tratam de “insurreição dos saberes”. comum buscarmos por fundamentos no campo disciplinar, onde trabalhamos. No caso da farmácia, por exemplo, lugar do qual o presente curso nasceu, frequentemente docentes e pesquisadores adotam instrumentos e métodos, ou, os elaboram com tal propósito. A farmácia, depois da Segunda Guerra Mundial, desenvolveu práticas de saberes com o objetivo de inseri-la na hierarquia do poder próprio da ciência. Como exemplo, a farmácia clínica. A genealogia é um modo de desalojar saberes que foram historicamente assujeitados e, possibilitá-los a se oporem a um sistema unificador, totalitário que é o da ciência. Resta saber se o presente livro conseguirá, ao menos, suscitar alguma desconfiança. Ora, dentre tantas coisas que me chama a atenção em Michel Foucault, é que em suas análises, encontramos uma singularidade: para ele a busca de uma fundamentação nunca foi um objetivo; as ideias são instrumentos provisórios, imprevistos, de modo que ele as denomina de “caixa de ferramentas”, “bombas”, “armas”. A História da Farmácia é irônica, ou seja, o que ocorre neste campo é bem distinto das promessas e pretensões verbalizadas por seus atores ou idealizadores. Olhemos para o corpo e para os medicamentos que nele são administrados, absorvidos, modificando-o.
Abstract: In 1999, I first encountered the works of Michel Foucault. A graduate in Pharmacy, my perspectives on what constitutes a medicine broadened thanks to my contact with him and other philosophers introduced to me during my academic career. The pharmacologization of society, academic productivity, the proliferation of pharmacy courses and drugstore chains throughout Brazil, and the emergence of nanotechnology spurred me to accept the challenge of undertaking a genealogy of pharmacopower, of the birth of pharmacobiopolitics. This book, in lecture format, seeks to demonstrate the path of a genealogy whose main objective is not to present "true answers," but to present an experiment. Therefore, it is not a book written by a philosopher, but neither does it contain the technical jargon of a pharmacist. As already mentioned, it is an experiment that, when presented in lecture format, boldly affirms that teaching is, above all, admitting that it is necessary to know, in a continuous becoming. When I decided to undertake a genealogy, I was aware that gathering all the material would take time. The purpose of lingering is to seek to demarcate the singularities of certain events. Abandoning the pretension of tracing linear curves, I dare to define gaps, to refuse haste: continuous challenges. The materials analyzed demanded, and still demand, meticulous analysis and patience. Therefore, from the outset, I indicate that the path adopted did not intend to explain or understand the phenomenon in all its vastness. What was possible to collect for the preparation of these classes were fragments, historical excerpts, materials that we still consider insufficient. However, to try to remove masks, with the intention of unveiling a primary identity, if that is possible, we made ourselves available to listen to history. And when I say, listen to history, I am thinking of Nietzsche. For this thinker, what we will find at the beginning of history is not a preserved identity, but disputes, absurdities, and contradictions. Genealogies, as Foucault said, "are in reality anti-sciences," not that they reject knowledge and praise ignorance, but rather that they represent an "insurrection of knowledge." It is common for us to seek foundations in the disciplinary field where we work. In the case of pharmacy, for example, the field from which this course originated, teachers and researchers frequently adopt instruments and methods, or develop them specifically for this purpose. After the Second World War, pharmacy developed knowledge practices aimed at inserting itself into the power hierarchy inherent in science. Clinical pharmacy is an example. Genealogy is a way of dislodging historically subjugated knowledge and enabling it to oppose a unifying, totalitarian system like that of science. It remains to be seen whether this book will at least manage to arouse some suspicion. Among the many things that attract my attention in Michel Foucault is a singularity found in his analyses: for him, the search for a foundation was never an objective; ideas are provisional, unforeseen instruments, which he calls "toolboxes," "bombs," and "weapons." The history of pharmacy is ironic; that is, what actually happens in this field is quite different from the promises and claims made by its creators or founders. Let's look at the body and the medications that are administered to it, absorbed, and that modify it.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/83282
ISBN: 978-65-01-77583-8
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/4101539380397371
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
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