Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/82250
Tipo: Dissertação
Título: Estresse de minorias e saúde mental da população transgênero de Fortaleza e região metropolitana
Autor(es): Teles, Davi Oliveira
Orientador: Pinheiro, Ana Karina Bezerra
Palavras-chave em português: Pessoas Transgênero;Minorias Desiguais em Saúde e Populações Vulneráveis;Saúde mental;Ansiedade;Depressão
Palavras-chave em inglês: Transgender persons;Health Disparate Minority and Vulnerable Populations;Mental Health;Anxiety;Depression
CNPq: CNPq: Ciências da Saúde
Data do documento: 2025
Citação: TELES, Davi Oliveira. Estresse de minorias e saúde mental da população transgênero de Fortaleza e região metropolitana. 2025. 138 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/82250. Acesso em: 25 ago. 2025.
Resumo: A Teoria do Estresse de Minorias de Gênero pressupõe que pessoas transgênero vivenciam estressores sociais únicos, de natureza proximal e distal, que impactam negativamente sua saúde mental. Este estudo objetivou analisar o estresse de minorias, a resiliência, os sintomas de ansiedade e depressão, seus preditores e relações na população transgênero de Fortaleza e região metropolitana. Trata-se de estudo transversal com amostragem por conveniência. A coleta foi realizada por pesquisadores treinados no ambulatório SERTRANS e de forma online por meio de questionário eletrônico. A amostra foi composta por 171 pessoas transgênero. Utilizaram-se questionários adaptados para caracterização sociodemográfica, de saúde, comportamento sexual, processo de transição e experiência nos serviços de saúde, além das escalas GMSRM (estresse e resiliência), PHQ-9 (depressão) e GAD-7 (ansiedade). Os dados foram analisados no SPSS v.28, e a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Ceará (parecer nº 7.230.895). A maioria da amostra era branca, escolarizada, sem vínculo empregatício formal e com alta frequência de diagnóstico psiquiátrico autorreferido e uso de psicofármacos. Relatos de discriminação nos serviços de saúde foram expressivos. Os escores de estresse proximal e distal foram elevados, com destaque para os domínios “não afirmação da identidade de gênero” e “expectativas negativas para o futuro”. Os níveis de resiliência foram semelhantes aos identificados na literatura. Quanto à saúde mental, observou-se uma prevalência alarmante de sintomas depressivos (88,9%) e ansiosos (77,8%). O maior nível de estresse distal foi associado a ter filhos, ausência de plano de saúde, diagnóstico psiquiátrico, experiências negativas nos serviços de saúde e não ter realizado etapas do processo de afirmação de gênero. O estresse proximal foi maior entre pessoas mais jovens, assexuais, com deficiência, com diagnóstico psiquiátrico e vivências negativas nos serviços de saúde. Menores níveis de estresse proximal foram identificados entre pessoas que realizaram etapas da transição de gênero ou que relataram uso de substâncias ilícitas. A menor resiliência esteve associada à moradia instável, assexualidade, maior renda, ausência de benefícios governamentais, uso de psicofármacos, ausência de múltiplos parceiros sexuais recentes e experiências negativas no serviço de saúde. Quanto aos sintomas de depressão e ansiedade, associaram-se principalmente ao diagnóstico psiquiátrico, uso de psicofármacos e experiências negativas no serviço de saúde. Apenas os sintomas depressivos apresentaram associação com inatividade física e sexo translacional. Na análise das correlações, os estressores proximais apresentaram as associações mais fortes com os sintomas de ansiedade e depressão, sobretudo os domínios “transfobia internalizada”, “rejeição relacionada à identidade de gênero” e “expectativas negativas”. Conclui-se que a população transgênero de Fortaleza apresenta alta vulnerabilidade psicossocial, com impactos relevantes na saúde mental. O Modelo de Estresse de Minorias demonstrou utilidade na compreensão dos fatores de risco e proteção, recomendando-se sua aplicação em políticas públicas e práticas clínicas voltadas a essa população.
Abstract: The Gender Minority Stress Theory assumes that transgender people are exposed throughout their lives to unique social stressors—both distal and proximal—that negatively affect their mental health. This cross-sectional study aimed to analyze minority stress, resilience, anxiety and depression symptoms, their predictors, and interrelations in the transgender population of Fortaleza and its metropolitan region. A convenience sampling strategy was used. Data were collected by trained researchers at the SERTRANS outpatient clinic and through an online self-administered form. The sample consisted of 171 transgender individuals. Data collection instruments included an adapted questionnaire addressing sociodemographic and health characteristics, sexual behavior, gender transition process, and experiences with health services, as well as validated instruments: the Gender Minority Stress and Resilience Measure (GMSRM), the Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) for depression, and the General Anxiety Disorder-7 (GAD-7) for anxiety. Analyses were conducted using IBM SPSS v.28, and the study was approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of Ceará (approval number 7.230.895). The majority of participants were White, educated, unemployed, and reported high rates of psychiatric diagnoses and psychotropic medication use. A significant proportion reported discrimination in healthcare settings. Mean scores for distal and proximal stressors were high, especially in the domains “non-affirmation of gender identity” and “negative expectations for the future.” Resilience scores were similar to those found in the literature. Alarmingly high rates of depressive (88.9%) and anxiety (77.8%) symptoms were found. Higher levels of distal stress were associated with having children, lacking health insurance, reporting psychiatric diagnoses, negative healthcare experiences, and not having completed stages of gender affirmation. Proximal stress was higher among younger individuals, asexual people, persons with disabilities, those with psychiatric diagnoses, and those who experienced discrimination in healthcare; it was lower among individuals who had undergone stages of gender affirmation and those who reported illicit substance use. Lower resilience was associated with unstable housing, asexuality, higher income, lack of government assistance, use of psychotropic medications, not having had multiple sexual partners in recent months, and negative healthcare experiences. Depression and anxiety symptoms were significantly associated with psychiatric diagnoses, use of psychotropic medications, and negative healthcare experiences. Only depressive symptoms were associated with physical inactivity and engagement in transactional sex. Regarding the correlation between stressors and mental health symptoms, proximal stressors showed the strongest associations, particularly the domains of internalized transphobia, rejection, and negative expectations. In conclusion, transgender individuals in Fortaleza face high levels of psychosocial vulnerability, with substantial impacts on mental health. The Gender Minority Stress Model proved useful in explaining risk and protective factors and is recommended for application in public policies and clinical practices aimed at this population.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/82250
ORCID do(s) Autor(es): 0000-0002-1191-994X
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/9057639692230740
ORCID do Orientador: http://orcid.org/0000-0003-3837-4131
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/6862658087106562
Tipo de Acesso: Acesso Embargado
Aparece nas coleções:DENF - Dissertações defendidas na UFC

Arquivos associados a este item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
2025_dis_doteles.pdf
🔒  Disponível em  2027-08-25
Embargado para publicação em Periódicos2,99 MBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.