Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/82243
Tipo: Dissertação
Título: Perfis imunogenéticos e sua reação com as suscetibilidades à síndrome pós-aguda da Covid-19: estudo experimental com a proteína Spike em modelos murinos Th1 e Th2
Autor(es): Souza, Hilda Tahim de
Orientador: Gaspar, Danielle Macêdo
Coorientador: Silva, Maria Francilene Souza
Palavras-chave em português: COVID longa;doenças neuroinflamatórias;tempestade de citocina;proteína S1 da espícula de coronavírus;resposta imune
Palavras-chave em inglês: long COVID;neuroinflammatory diseases;cytokine storm;coronavirus spike protein S1;immune response
CNPq: Ciências da Saúde
Data do documento: 2025
Citação: SOUZA, Hilda Tahim de. Perfis imunogenéticos e sua reação com as suscetibilidades à síndrome pós-aguda da Covid-19: estudo experimental com a proteína Spike em modelos murinos Th1 e Th2. 2025. 126 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Medicina Translacional) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2025. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/82243. Acesso em: 25 ago. 2025.
Resumo: A COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, tem sido associada a manifestações extrapulmonares persistentes, incluindo sintomas neuropsiquiátricos, caracterizando a Síndrome Pós-Aguda da COVID-19 (SPAC). A proteína Spike, principal componente estrutural do vírus, pode atravessar a barreira hematoencefálica e induzir neuroinflamação. Considerando os perfis imunológicos distintos das linhagens BALB/c (Th2) e C57BL/6 (Th1), este estudo investigou os efeitos da proteína Spike nessas linhagens, com foco em alterações imunes e comportamentais persistentes associadas à SPAC. Objetivou-se avaliar alterações comportamentais, neuroquímicas e imunológicas induzidas pela exposição à proteína Spike em camundongos BALB/c e C57BL/6, examinando a influência das respostas imunes Th1 e Th2 na persistência de sintomas da SPAC. No modelo in vitro, astrócitos murinos e macrófagos (células RAW 264.7) foram expostos à proteína Spike (10 μg) para análise de citotoxicidade (MTT), morfologia e produção de óxido nítrico. No modelo in vivo, camundongos machos BALB/c e C57BL/6 receberam salina (controle) ou Spike (10 μg/animal, intraperitonial, exposição única) e foram avaliados em duas fases: (i) aguda- FA (até 7 dias após exposição); (ii) pós-aguda – FPA (40–45 dias após exposição). Os testes comportamentais incluíram avaliação da atividade locomotora (teste de campo aberto), aprendizado espacial (teste de labirinto em T), memória declarativa não espacial (teste de reconhecimento de objeto), comportamento ansioso-símile (teste de zero maze) e comportamento depressivo (teste do nado forçado). Foram analisadas citocinas no hipocampo (Mouse XL Cytokine Array) e dopamina e seu metabólito DOPAC no corpo estriado (HPLC). Nos testes in vitro, a proteína apresentou efeito citotóxico mais acentuado sobre macrófagos RAW 264.7 (81,70%) do que sobre astrócitos (39,28%). A exposição à Spike induziu alterações comportamentais marcantes em BALB/c. No modelo in vivo, camundongos BALB/c expostos à Spike na FA exibiram comportamento ansioso-depressivo, com aumento do tempo de imobilidade no teste do nado forçado (P<0.0001), diminuição da distância percorrida (P<0.0001), maior tempo no seguimento aberto (Zero Maze, P<0.0001). Observou-se redução do número de rearings na fase pós-aguda (P = 0,0299), aumento na atividade locomotora e aumento significativo no tempo na zona central do campo aberto (P=0,0001), e prejuízo na memória de trabalho (teste do labirinto em T). Neuroquimicamente, houve elevação dos níveis de DOPAC, indicando maior turnover dopaminérgico. A análise de citocinas revelou baixa expressão de IL-1ra, IL-15 e BDNF no hipocampo. Em contraste, os C57BL/6 demonstraram resiliência comportamental e neuroquímica, com resposta inflamatória mais robusta (média de expressão de citocinas: 12,33 ± 2,33 vs. 3,15 ± 1,81 nos BALB/c; P < 0,0001), com aumento de IL-6, IL-22, IL-23, MIP-3β, IL-1ra e BDNF, compatível com perfil Th1. Na FA teve tempo reduzido na parte locomotora (P=0.0362), maior número de grooming (P=0.0191), já na FPA teve déficit cognitivo no reconhecimento de objetos. Animais BALB/c apresentaram maior susceptibilidade à SPAC, com alterações comportamentais, disfunção dopaminérgica e resposta imune deficiente. Em contraste, C57BL/6 mostraram maior resiliência comportamental e resposta imune mais eficiente. Os dados reforçam o papel do perfil imunogenético na vulnerabilidade à COVID longa e a utilidade translacional do modelo BALB/c.
Abstract: COVID-19, caused by SARS-CoV-2, has been associated with persistent extrapulmonary manifestations, including neuropsychiatric symptoms, characterizing Post-Acute COVID-19 Syndrome (PACS). The Spike protein, the main structural component of the virus, can cross the blood-brain barrier and induce neuroinflammation. Considering the distinct immunological profiles of BALB/c (Th2) and C57BL/6 (Th1) mouse strains, this study investigated the effects of Spike protein in these strains, focusing on persistent immune and behavioral alterations associated with PACS. We aimed to evaluate behavioral, neurochemical, and immunological alterations induced by exposure to Spike protein in BALB/c and C57BL/6 mice, examining the influence of Th1 and Th2 immune responses on the persistence of PACS symptoms. In the in vitro model, murine astrocytes and macrophages (RAW 264.7 cells) were exposed to Spike protein (10 μg) for analysis of cytotoxicity (MTT), morphology and nitric oxide production. In the in vivo model, male BALB/c and C57BL/6 mice received saline (control) or Spike (10 μg/animal, intraperitoneal, single exposure) and were evaluated in two phases: (i) acute-AF (up to 7 days after exposure); (ii) post-acute-FPA (40–45 days after exposure). Behavioral tests included assessment of locomotor activity (open field test), spatial learning (T-maze test), non-spatial declarative memory (object recognition test), anxiety-like behavior (zero maze test) and depressive-like behavior (forced swim test). Cytokines were analyzed in the hippocampus (Mouse XL Cytokine Array) and dopamine and its metabolite DOPAC in the striatum (HPLC). In in vitro tests, the protein showed a more pronounced cytotoxic effect on RAW 264.7 macrophages (81.70%) than on astrocytes (39.28%). Exposure to Spike induced marked behavioral changes in BALB/c mice. In the in vivo model, BALB/c mice exposed to Spike in the AF exhibited anxious-depressive behavior, with increased immobility time in the forced swim test (P<0.0001), decreased distance traveled (P<0.0001), and longer time in the open follow-up (Zero Maze, P<0.0001). There was a reduction in the number of rearings in the post-acute phase (P = 0.0299), an increase in locomotor activity and a significant increase in the time spent in the central zone of the open field (P = 0.0001), and impairment in working memory (T-maze test). Neurochemically, there was an increase in DOPAC levels, indicating greater dopaminergic turnover. Cytokine analysis revealed low expression of IL-1ra, IL-15 and BDNF in the hippocampus. In contrast, C57BL/6 demonstrated behavioral and neurochemical resilience, with a more robust inflammatory response (mean cytokine expression: 12.33 ± 2.33 vs. 3.15 ± 1.81 in BALB/c; P < 0.0001), with increased IL-6, IL-22, IL-23, MIP-3β, IL-1ra and BDNF, consistent with a Th1 profile. In FA, there was reduced time in the locomotor part (P=0.0362), greater number of grooming (P=0.0191), while in FPA there was cognitive deficit in object recognition. BALB/c animals showed greater susceptibility to SPAC, with behavioral changes, dopaminergic dysfunction and deficient immune response. In contrast, C57BL/6 showed greater behavioral resilience and more efficient immune response. The data reinforces the role of the immunogenetic profile in vulnerability to long COVID and the translational utility of the BALB/c model.
URI: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/82243
ORCID do(s) Autor(es): https://orcid.org/0000-0001-7856-2159
Currículo Lattes do(s) Autor(es): http://lattes.cnpq.br/9537528278052122
ORCID do Orientador: https://orcid.org/0000-0001-8980-9970
Currículo Lattes do Orientador: http://lattes.cnpq.br/1566937332957369
ORCID do Coorientador: https://orcid.org/0000-0002-4509-1159
Currículo Lattes do Coorientador: http://lattes.cnpq.br/0436700983504113
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Aparece nas coleções:PPGMDT - Dissertações defendidas na UFC

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