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Tipo: Dissertação
Título: Comercialização do algodão em caroço nos municípios de Quixadá e Missão Velha
Autor(es): Araújo, Ignácio Tavares de
Orientador: Fox, Roger William
Palavras-chave: Algodão - Comercialização;Algodão - Preços
Data do documento: 1975
Citação: ARAÚJO, Ignácio Tavares de. Comercialização do algodão em caroço nos municípios de Quixadá e Missão Velha. 1975. 95 f. Dissertação (Mestrado em Economia Rural) – Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1975. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/68659. Acesso em: 04 out. 2022.
Resumo: O presente trabalho objetiva conhecer alguns aspectos da comercialização de algodão em caroço nos municípios de Quixadá e Missão Velha, correspondente a safra de 1972. Para escolha desses dois municípios, foram considerados vários critérios, tais como: ser o município efetivamente representativo para a região como produtor de algodão; existir mais de uma variedade de algodão cultivada; existirem parceiros nas medias e grandes propriedades; ser a produção do ano corrente no mínimo 60% da do ano anterior. Satisfeitas essas condições, elegeram-se dois municípios: Missão Velha e Quixadá. A amostra foi determinada aleatoriamente, utilizando-se o Cadastro de Propriedades Rurais, levantado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, no ano de 1972. Para cada município, selecionaram-se 60 estabelecimentos, sendo 20 para cada estrato. Ademais, houve a necessidade de se aplicarem questionários adicionais a usineiros e intermediários, para que se pudessem determinar alguns aspectos da comercialização ao nível dos dois principais agentes. Nessa segunda etapa, levantaram-se 49 observações, sendo 34 em Quixadá e 15 em Missão Velha. No primeiro município, foram entrevistados 31 intermediários e 3 usineiros e no segundo, 14 intermediários e 1 usineiro, Procedeu-se a tabulação e analise dessas informações, obedecendo-se a ordem dos objetivos. No fluxo da comercialização, verificou-se que proprietários entrevistados venderam 64% da sua produção aos usineiros do município de Quixadá, fazendo-o sem intermediação. Os parceiros preferem vender sua produção diretamente aos patrões. Em Missão Velha, os proprietários venderam 72% da produção aos usineiros, enquanto que os proprietários compraram 67% da produção dos meeiros. Os intermediários do município de Quixadá venderam maior parte do algodão aos usineiros locais, ou seja, 76,4% contra 32,6%, a usineiros residentes em outros municípios. Em Missão Velha, os intermediários trabalham em grande parte para usineiros não residentes no município. Verificou-se que apenas 37,7% do volume total transacionado foram vendidos ao usineiro local e 66,3%, ao usineiro não residente no município. Na comercialização do algodão beneficiado em Quixadá, verificou-se que 54,4% do total da pluma produzida foram vendidos para o Sul do País; 28,3%, para o exterior e 17,2% foram comercializados dentro do próprio Estado. O processo de comercialização de algodão em caroço apresenta as mesmas características nos dois municípios estudados. O intermediário e o principal agente da comercialização. O usineiro atua como agente financeiro do processo de comercialização. No princípio do inverno, o intermediário recebe empréstimo do usineiro mediante uma taxa media de juros mensal que foi de 2,9% em Quixadá e 2,7% em Missão Velha. De posse desses recursos, os intermediários fazem repasses aos produtores, mediante taxas de juros mensais que variaram de 3,7% em Quixadá e 4,1% em Missão Velha, Os produtores, receptores desses repasses, ficam na obrigação de saldar os empréstimos adicionados aos juros, com algodão em caroço, no período da safra. Os preços não são fixados, ou seja, vigora o preço do dia da entrega, mas o dia da entrega do produto é mercado e,com muita frequência, este ocorre no princípio do mês de agosto. Neste mês, verificou-se que os preços são relativamente baixos com relação aos meses de setembro e outubro. Alem dos serviços de financiamento, o usineiro oferta outros serviços de comercialização aos intermediários, como sejam: armazenamento, classificação e informações de preços. Os intermediários, por sua vez,oferecem os serviços de crédito, transporte e informações de preços. Os proprietários, ao comprarem a produção de seus parceiros, ofertam serviços de credito, armazenamento, transporte, informações de preços e outras vantagens como, moradia e terras para cultivo. Em contrapartida, o proprietário recebe a meação em algodão e serviços de mão-de-obra. O intermediário, com muita frequência nos dois municípios, usa as dependências do usineiro para armazenar O algodão comprado, enquanto que o produtor prefere armazenar em suas próprias dependências o algodão por ele produzido. Quanto ao transporte, verificou-se que os intermediários são responsáveis pelas despesas com transporte do algodão. Os preços médios recebidos pelos produtores foram iguais, no que se refere aos dois municípios estudados, isto e, giraram em torno de Cr$1,00 por Kg vendido.Ademais, constatou-se queda, nesta safra de 1972, os preços pagos pelos intermediários aos produtores, em ambos os municípios, variaram em sentido positivo, ao longo da safra. Desta forma, considerando-se os preços do mês de agosto, setembro e outubro, dado o volume comercializado por nível de intermediário, concluiu-se que, nos dois municípios, os agricultores poderiam obter melhores resultados na comercialização, se concentrassem suas vendas a partir do mês de setembro. Os intermediários receberam Cr$1,11 e 1,07 por Kg de algodão vendido ao usineiro, em Quixadá e Missão Velha,respectivamente. As margens de comercialização em Quixadá, por classe de intermediário, foi de 12%, 11% e 10% para a primeira, segunda e terceira classes, respectivamente. Em Missão Velha, foi da ordem de 7% para a primeira e segunda classes e de 6% para a terceira classe de intermediário. Os custos de comercialização envolvem despesas com juros pagos pelo intermediário, despesas com transporte e despesas com carregamento e descarregamento. Destes , as mais onerosas foram a despesa com juros, que corresponderam a 47,6% dos custos de comercialização, seguindo-se as despesas com transporte, carregamento e descarregamento,que participaram com 45,56 e 6,84%, respectivamente. O lucro do intermediário por Kg comercializado, considerando-se os juros como uma componente dos custos,foi em torno de Cr$0,07. Não consideradas as despesas com juros como componentes dos custos de comercialização,o lucro do intermediário por Kg comercializado passará a ser Cr$009,. Considerando-se a quantidade comercializada em toneladas, os lucros serão de Cr$66,00 ou Cr$88,00,por unidade. Todavia, não se chegou a uma conclusão bastante precisa, sobre se os intermediários estão ou não obtendo lucros anormais. O que se pode dizer e que eles não estão tendo prejuízos, como comerciantes de algodão.
Descrição: Este documento está disponível online com base na Portaria nº 348, de 08 de dezembro de 2022, disponível em: https://biblioteca.ufc.br/wp-content/uploads/2022/12/portaria348-2022.pdf, que autoriza a digitalização e a disponibilização no Repositório Institucional (RI) da coleção retrospectiva de TCC, dissertações e teses da UFC, sem o termo de anuência prévia dos autores. Em caso de trabalhos com pedidos de patente e/ou de embargo, cabe, exclusivamente, ao autor(a) solicitar a restrição de acesso ou retirada de seu trabalho do RI, mediante apresentação de documento comprobatório à Direção do Sistema de Bibliotecas
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/68659
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
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