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Title in Portuguese: Reações hansênicas em pós alta de poliquimioterapia : fatores associados e visão dos usuários numa área endêmica do Brasil
Author: Alencar, Maria de Jesus Freitas de
Advisor(s): Heukelbach , Jorg
Keywords: Hanseníase
Pessoas com Deficiência
Issue Date: 2012
Citation: ALENCAR, M. J. F. de. Reações hansênicas em pós alta de poliquimioterapia : fatores associados e visão dos usuários numa área endêmica do Brasil. 2012. 153 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2012.
Abstract in Portuguese: Os estados reacionais da hanseníase, classificados como tipo 1 (reação reversa - RR) e tipo 2 (Eritema Nodoso Hansênico – ENH) e neurite isolada, levam ao risco potencial de desenvolver incapacidades e deformidades antes, durante o tratamento e após a alta. Necessitam diagnóstico precoce e tratamento adequado. Este estudo justifica-se pela escassez de estudos sobre ocorrência, seguimento e fatores associados aos episódios reacionais após a alta do tratamento específico, bem como o desconhecimento dos problemas enfrentados do diagnóstico, ao manejo terapêutico, sob a perspectiva das pessoas com reações hansênicas. Métodos: estudo transversal, a partir da população alvo identificada, consistindo de avaliação neurológica simplificada, exame dermato-neurológico e entrevista individual (Projeto MAPATOPI). Foram incluídos cinco municípios em áreas do cluster: Araguaína (TO), Floriano (PI), Bacabal e Caxias (MA) e Marabá (PA). A população alvo consistiu de todos os indivíduos que apresentaram reações hansênicas, em pós-alta do tratamento poliquimioterápico, residentes e acompanhados nos serviços de saúde no período de 2007 a 2009, independente da data de inicio de tratamento. Utilizou-se a comparação do escore OMP (olho-mão-pé) ou EHF (Eyes-Hand-Foot) do diagnóstico com o atual. Outro desfecho binário utilizado foi analisar a presença de incapacidade 0-1 no escore OMP atual. Na análise binária utilizou-se o teste chi quadrado de Pearson. Naquelas associações onde o valor esperado era menor que cinco utilizou-se o teste exato de Fischer. Resultados: foram incluídos 280 pacientes. 190 (67,9%) eram do sexo masculino. A idade mínima de 8 a 85 anos, com media de 46,5 anos. Seis eram menores de 15 anos e cinco entre 15 e 17 anos. A renda média por mês foi de R$ 1077,00 com valores entre R$ 60,00 e R$ 6.000,00 reais. Mais de noventa por cento residia na zona urbana. Quanto à escolaridade 53 (18,9%) eram analfabetos e 53,6% tinham o primeiro grau incompleto. No total 45 (16,1%) foram classificados como PB e 232 (83,7%) foram classificados como MB. A forma clínica predominante foi a dimorfa com 115(41,1%), seguida da virchowiana 82 (29,6%). A reação tipo 1 estava presente em 104 (37,1%), tipo 2 (18,6%), a neurite isolada (13,9%). A neurite associada foi encontrada em 51,9% dos pacientes com tipo 2. A quantidade de episódios reacionais variou de um até seis episódios. Um episódio foi desenvolvido por 215 (77,3%). O primeiro episódio ocorreu durante o tratamento para 121 (43,2%), seguido, em frequência de ocorrência, em pacientes pós-alta. O escore OMP (EHF) no diagnóstico variou de 0 a 11 e na avaliação atual, de 0 a 10, com maior distribuição no intervalo entre 1 a 4. Quanto à piora do escore OMP 88/198 (44,4%) pioraram. Entre as variáveis sócio-demográficas, o risco de piora foi associado a: ser analfabeto (RP= 1, 64; IC de 95% 1,21 – 2,21; p=0,003), viúvo (RP= 1,98; IC de 95% 1,20 – 3,96, p=0,013). E como fator de proteção ter segundo grau de escolaridade (RP= 0,4; IC de 95% 0,23 – 0,71 p=0,000). Quanto à piora do OMP associada a variáveis clínicas, a forma clínica dimorfa (RP= 3,71; IC de 95% 1,00 – 13,70; p=0,009), ter reação durante a PQT (RP= 1, 70; IC de 95% 1,13 – 2,54 P=0,004), ter algum nervo espessado ((RP= 1, 78; IC de 95% 1,30 – 3,08; p=0,024). Quanto ao percurso até o diagnóstico, a autopercepção foi encontrada em 240 (85,8%), entre os sinais e sintomas 176 (62,9%) buscaram os serviços por dermatoses em geral. Na busca do diagnóstico, a atenção primária foi a primeira entrada para 95 (34%) na rede de assistência. As principais manifestações de reações citadas foram sinais dermatológicos 115 (42%) e neurológicos 97 (35,4%). No total, 206/280 (73,5%) responderam que a hanseniase trouxe mudanças, problemas e transtornos para a sua vida. Dentre as mudanças intrapessoais, as alterações físicas tiveram papel importante para 129 (62,6%) participantes. Essas alterações levaram a limitações do seu desempenho no trabalho e renda, seguindo do comprometimento das atividades de vida diária. Conclusões: Episódios reacionais agravam o comprometimento físico, psico-social de participação social e comprometem o trabalho e a realização das atividades de vida diária. É necessário foco na qualidade de vida dos indivíduos no pós-alta, principalmente entre aqueles com incapacidades físicas instaladas. O escore OMP é um importante instrumento para detectar a progressão das incapacidades físicas e deve ser utilizado no diagnóstico, alta e durante os episódios reacionais em todos os pacientes. Os serviços de atenção primária e secundária dos municípios envolvidos necessitam melhorar o acompanhamento aos indivíduos no período pós-alta, não apenas para aqueles indivíduos com incapacidades já instaladas (grau um e dois), mas também naqueles que não apresentaram incapacidades no momento da alta. Evidências apontaram a necessidade do empoderamento das pessoas afetadas pela hanseníase em lidar eficazmente com os sinais e sintomas de reações após a PQT. Sugere-se instituir um sistema de monitoramento e vigilância dos estados reacionais por um período mínimo de seis meses até cinco anos após a alta, considerando a existência de grupos de pacientes onde o comprometimento neurológico ocorre lenta e silenciosamente, com possibilidade de danos não só físicos, mas psicossociais
Abstract: Leprosy reactions are classified as type 1 (reversal reaction - RR), type 2 (Erythema Nodosum Leprosum - ENL) and pure neuritis. These lead to a potential risk of developing disabilities and deformities before and during anti-leprosy treatment as well as after release from treatment (RFT). Reactions must be diagnosed early and treated effectively. This research is justified by the scarcity of studies on the occurrence of reactions, monitoring practices of patients and factors associated with reaction episodes after RFT. We know little about existing diagnostic problems, about case management from the perspective of the affected persons with reactions.Methods: Transversal study design, consisting of a simplified neurological examination, a dermato-neurological examination and interviews of the defined target group. Five municipalities were included in the cluster areas: Araguaina (Tocantins), Floriano (Piauí), Bacabal and Caxias (Maranhão) and Marabá (Pará). The target population consisted of all resident individuals with leprosy reactions after being released from multidrug therapy, who presented themselves to the health services in the period 2007 to 2009, regardless of the date of start of treatment. We compared the EHF (eye-hand-foot) scores at diagnosis and during the respondents’ examinations. In another analysis we compared the presence of disability scores (0-1) to the current EHF scores. In the analysis we used the Chi square test and for those associations where the expected value was less than 5 we used Fischer’s exact test. Results: A total of 280 patients were included in the study. Of those, 190 (67.9%) were male. The ages ranged from 8 to 85 years, with a mean of 46.5 years. Six patients were under 15 years and five aged between 15 and 17 years. The average monthly income of the respondents was R$ 1,077.00 (around €400) with values between R$ 60 (€22) and R$ 6,000 (€2200). More than ninety per cent lived in urban areas. As for education, 53 persons (18.9%) were illiterate and 53.6% had an incomplete primary education. In total 45 patients (16.1%) were classified as PB and 232 (83.7%) were classified as MB. The predominant clinical form (Madrid classification) was dimorphous in 115 (41.1%) cases, followed by 82 lepromatous forms (29.6%). Type 1 reaction was present in 104 patients (37.1%), type 2 reactions in 18.6% of cases and pure neuritis in 13.9%. An associated neuritis was found in 51.9% of patients with type 2 reactions. The frequency of reaction episodes ranged from one to six. One episode only was developed by 215 patients (77.3%). The first episode occurred during anti-leprosy treatment for 121 patients (43.2%), followed in frequency of occurrence by patients after RFT. The EHF score at the time of diagnosis ranged from 0 to 11. At the time of the examination the EHF score range was 0-10, with a predominance of scores between 1 and 4. In 88 out of 198 patients (44.4%) their scores worsened. The risk of worsening was associated with the following socio-demographic variables: being illiterate (PR = 1.64, 95% CI: 1.21 - 2.21, p = 0.003), being widower (PR = 1.98, 95% CI: 1.20 - 3.96, p = 0.013). A protective factor was found: having completed secondary school education (PR = 0.4, 95% CI: 0.23 - 0.71 p = 0.000). Worsening of the EHF scores was associated with borderline leprosy (PR = 3.71, 95% CI: 1.00 - 13.70, p = 0.009), having had a reaction during MDT (PR = 1, 70; 95% CI 1.13 to 2.54 P = 0.004), and the presence of a thickened nerve (PR = 1, 78, 95% CI: 1.30 - 3.08 p = 0.024). In the patients’ health seeking behaviour towards diagnosis, self-perception of symptoms was reported by 240 respondents (85.8%). Dermatological symptoms were the main complaint, in 176 (62.9%) cases. Primary health care services were the first point of entry for 95 patients (34%). The main reaction symptoms mentioned were of dermatological nature, in 115 (42%) cases Neurological complaints were mentioned by 97 (35.4%) respondents. In total, 206 out of the 280 patients (73, 5%) responded that leprosy brought about changes, problems and troubles in their lives. Among the intrapersonal changes, physical changes played an important role for 129 (62.6%) participants. These changes led to limitations in work performance and income, as well as causing restrictions in activities of daily living. Conclusions: Episodes of reactions worsen physical and psycho-social impairments, reduce social participation, cause problems at work and hamper activities of daily living. It is necessary to focus on the quality of life of individuals after RFT, especially among those with already established physical disabilities. The EHF score is an important tool to detect the progression of physical disability. The tool should be used in the diagnostic procedure, at the time of RFT and during reactions for all patients. Primary health care services and reference centres in the municipalities involved need to improve monitoring persons after RFT. Improved monitoring is needed not just in those patients with existing disabilities (DG1 and DG2), but also for those without disability present at discharge. Evidence indicates the need for empowerment of people affected by leprosy to deal effectively with the signs and symptoms of reaction after MDT. It is suggested to establish a system for monitoring and surveillance of reactions for a period of minimally six months up to five years after RFT. This surveillance is especially important considering that patients may develop neurological impairment gradually and without presenting symptoms, with the subsequent possibility of physical and psycho-social harm.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/4791
metadata.dc.type: Tese
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