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Title in Portuguese: Excesso de peso e obesidade em crianças que nasceram com muito baixo peso: vicissitudes das práticas alimentares na infância a partir da subjetividade materna
Title: Excess weight and obesity in children born with very low weight: vicissitudes of feeding practices in childhood from maternal subjectivity
Author: Silva, Angela Cardoso Andrade Timóteo da
Advisor(s): Machado, Márcia Maria Tavares
Keywords: Doenças do Prematuro
Obesidade
Violência Doméstica
Sobrepeso
Saúde da Criança
Issue Date: 11-Jun-2015
Citation: SILVA, A. C. A. T. Excesso de peso e obesidade em crianças que nasceram com muito baixo peso: vicissitudes das práticas alimentares na infância a partir da subjetividade materna. 2015. 213 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2015.
Abstract in Portuguese: Objetivou compreender, com origem na subjetividade materna, as práticas alimentares de crianças entre dois a cinco anos com excesso de peso e obesidade que nasceram prematuras com muito baixo peso. Para tanto, buscou, com base nas vivências e percepções maternas, pôr em evidência o processo multidimensional e sinérgico que envolve a associação entre nascimento prematuro de muito baixo peso, cuidados maternos, práticas alimentares e o excesso de peso na infância. Este estudo fundamenta-se na Fenomenologia Hermenêutica como arcabouço teórico-metodológico de natureza qualitativa. O grupo investigado foi composto por 12 mães que frequentavam serviços públicos especializados no follow-up da criança prematura, em Fortaleza-CE. As técnicas utilizadas foram: entrevista aberta e registro em diário de campo derivado da observação direta da realidade de pesquisa. Com suporte no exercício analítico-hermenêutico do material empírico, destacaram-se três temáticas centrais nos achados: 1- Revivendo a marca simbólica do nascimento prematuro; 2- Práticas alimentares da criança de dois a cinco anos nascida prematura com muito baixo peso; 3- Contextos de vulnerabilidade socioafetiva familiar e os excessos alimentares. A discussão dos resultados se alicerça nas recordações, pelas mães, das vicissitudes do nascimento prematuro de muito baixo peso, que representou para a díade mãe-filho uma marca simbólica traumática, cujo impacto alicerçou as dificuldades vividas pelas mães na provisão dos cuidados ao bebê de risco com a chegada no domicílio, sobretudo no que se refere ao microcosmo das práticas alimentares adotadas. Essas experiências adversas vão desde a permanência da criança em UTIN, atravessaram os primeiros anos de vida, e tem nos sentimentos de culpa e medo em perder o filho o panorama que consubstanciou as práticas alimentares, com o firme objetivo materno em fortalecer o corpo do bebê frágil e, assim, compensar o passado difícil na luta pela sobrevivência e reparar os prejuízos à parentalidade em curso. Foram observadas evidências de sintomas de estresse pós-traumático após o intervalo de dois a cinco anos do nascimento prematuro, com tendência à superproteção da criança. O que mais impactou as mães à época da internação, além da instabilidade clínica e do risco iminente de morte do filho, foi a alimentação dispensada na unidade intensiva. A angústia perante o intenso volume de leite materno produzido e as poucas “gotas” de leite administradas pela seringa ao bebê, revelaram-se aversivas, aumentando a ansiedade e impactando negativamente a confiança materna. Contrapostas a essa experiência, porém, somam-se as práticas alimentares “obesogênicas” na infância, com alimentação pouco diversificada, excesso na oferta de alimentos lácteos e a utilização de espessantes e farináceos, além do baixo consumo de frutas, verduras e legumes. Em adição, não percebiam adequadamente o estado nutricional do filho para excesso de peso ou obesidade, considerando que seus filhos são fortes e saudáveis em relação o quadro anterior de caquexia, com o baixo peso ao nascer. As mães relataram a experiência de estresse crônico como resultante da violência doméstica pelo parceiro íntimo, indicando que a atratividade e a impulsividade por comida de seu filho, assim como a hiperalimentação no ambiente familiar, podem estar envolvidas em necessidades simbólicas em que subjaz a salvaguarda do eu e o apaziguamento do mal-estar e da inquietação infantil. Sintomas de estresse pós-traumático, como ansiedade e depressão materna, medeiam os cuidados com os filhos que, geralmente, são superprotegidos e superalimentados. Esses achados indicam a necessidade de reformulação teórico-metodológica da assistência nutricional ao prematuro em seus primeiros cinco anos de vida e, simultaneamente, o incremento de políticas públicas que focalizem a pluralidade de necessidades da família do bebê e da criança pequena nascida prematura, numa mutação do olhar que alcance além dos esforços empreendidos na sobrevivência do bebê de risco, centrada no corpo anatomofisiológico, mas, sobretudo, na produção do cuidado integral numa perspectiva bioecológica.
Abstract: This study aimed at understanding the food habits of overweight and obese children aged 2 to 5 who were born premature and with low weight, based on maternal subjectivity. In order to do so, based on the mothers’ experiences and perceptions, we attempted to highlight the multidimensional and synergic process which involves the association between very low weight premature birth, maternal care, food habits and excess weight in infancy. This study is grounded in hermeneutic phenomenology as a theoretical-methodological framework of a qualitative nature. The studied group consisted of 12 mothers who received care at specialized public services providing follow-up to premature children in Fortaleza-CE. The techniques we used were: open-ended interview and daily field journals recording direct observations made at the research location. Based on a analytical-hermeneutical review of the empirical material, we uncovered three central themes in our findings: 1 – Reliving the symbolic mark of premature birth; 2 – Eating habits of children aged 2 to 5 who were born prematurely with very low weight 3 – Social-emotional vulnerability contexts within their families and excess food intake. The discussion of results is grounded in the mothers’ recollections of the ups and downs of a very low weight, premature birth. For the mother-child pair, it represented a traumatic symbolic mark whose impact provided the foundations of troubles experienced by mothers when providing care to a risk newborn upon returning home, with respect to the micro-universe of adopted eating habits. Those negative experiences range from the child remaining in an NICU and growing up during their first years of life. Feelings of guilt and fear of losing one’s child form the scenario which provides the basis for eating habits, with the firm purpose on the mother’s part of strengthening the fragile baby’s body and therefore making up for the difficult past struggling for survival and repairing the ongoing damage to parenthood. We observed evidence of symptoms of posttraumatic stress 2 to 5 years after the premature infant was born, with child overprotection tendencies. The greatest impact on the mothers at the time when their babies were hospitalized, in addition to clinical instability and the eminent risk of death of their child, was the food given at the intensive care unit. Their anguish witnessing the vast amount of breast milk produced versus the few “drops” of breast milk given to their child using a syringe caused aversion, increased anxiety and had a negative impact on maternal confidence. On the other hand, there are “obesity-causing” eating habits in infancy, with little diversity of foods and excess offer of milk products and use of thickening and wheat products, in addition to low consumption of fruit and vegetables. In addition, they did not properly realize their child’s nutritional status as overweight or obese, since their children were strong and healthy considering their previous state of cachexia with low weight at birth. Mothers reported their chronic stress experience as resulting from domestic violence perpetrated by their partners, indicating that the attractiveness and impulse for food shown by their child, in addition to overeating in the family environment, could be involved with symbolic needs that underlie safeguarding themselves and appeasing the children’s discomfort and restlessness. Symptoms of post-traumatic stress, such as anxiety and maternal depression, mediate the care given to children who are usually overprotected and overfed. This establishes an important scenario of “obesity-generating” eating habits for the child, who was born with very low weight, and seriously harming their health at later stages of development. Those findings indicate the need for a theoretical-methodological reform of nutritional care given to premature children in their first 5 years, while simultaneously improving Public Policies that focus on the multiple needs of the baby’s family and of the premature child, changing the perspective to reach beyond the efforts undertaken to ensure the survival of babies under risk, which focus on the anatomy and physiology of bodies, favoring instead providing comprehensive care under a bioecological perspective.
URI: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/28383
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